Lavagem de criptomoedas em tempo real expõe falhas nas CEXs

Lavagem de criptomoedas em tempo real expõe falhas nas CEXs

Um relatório recente da empresa suíça de análise de blockchain, Global Ledger, revela que, no primeiro semestre de 2025, US$3,01 bilhões foram roubados em 119 ataques a criptomoedas, superando o total de todo o ano de 2024. O fato realmente chocante, no entanto, não é apenas o volume — é a velocidade com que os hackers estão lavando ativos roubados, muitas vezes ultrapassando os sistemas de detecção e resposta.

Pesquisadores rastrearam a movimentação de fundos ilícitos por meio de mixers, pontes e corretoras centralizadas (CEXs). Eles descobriram que, em 23% dos casos, a lavagem foi totalmente concluída antes de qualquer divulgação pública da violação, enquanto em quase 68% dos casos, os fundos já estavam em movimento antes que alguém percebesse que o ataque havia ocorrido.

Algumas transações passaram de comprometimento para lavagem de dinheiro em prazos sem precedentes. O incidente mais rápido viu os fundos roubados serem realocados apenas quatro segundos após o ataque — totalmente limpos e dispersos em menos de três minutos.

No geral, 31,1% das lavagens de dinheiro ocorreram em até 24 horas, mas as vítimas normalmente levavam em média 37 horas para reconhecer ou divulgar a violação, dando aos invasores uma vantagem substancial de 20 horas. Apenas 4,2% dos ativos roubados foram recuperados no primeiro semestre de 2025.

Exchanges centralizadas continuam sendo alvos de alto valor e pontos-chave nas rotas de lavagem de dinheiro. No conjunto de dados de 2025, 54,26% das perdas totais decorreram de intrusões em CEX, enquanto apenas 17,2% resultaram de explorações de contratos de token e 11,67% de violações de carteiras pessoais. Enquanto isso, 15,1% de todas as criptomoedas lavadas passaram por corretoras centralizadas onde o monitoramento transacional pode ter sido ignorado — geralmente de 10 a 15 minutos após a entrada dos fundos na plataforma, deixando pouco tempo para revisão humana.

Os processos tradicionais de conformidade baseados em tickets, nos quais atividades suspeitas são sinalizadas e revisadas manualmente, são claramente superados por essas ameaças em tempo real. As corretoras precisam adotar ferramentas de monitoramento automatizadas e em tempo real que detectem transferências ilícitas instantaneamente e as interrompam antes que os fundos desapareçam em camadas de mistura ou ferramentas de anonimato.

A ‘Lei Genius’, aprovada nos EUA recentemente, amplia ainda mais a urgência. Ela exige uma resposta mais rápida contra a lavagem de dinheiro (AML) e atribui maior responsabilidade aos provedores de serviços de ativos virtuais (VASPs) para prevenir atividades ilícitas, em vez de simplesmente reagir após o ocorrido.

Um caso jurídico de grande repercussão ilustra essa mudança: o desenvolvedor do Tornado Cash, Roman Storm, está sendo julgado, acusado de conspiração para cometer lavagem de dinheiro. Promotores americanos argumentam que ele tinha a capacidade e, portanto, a responsabilidade, de impedir o uso indevido de seu código. Se condenado, ele pode pegar até 45 anos de prisão. Isso representa uma mudança de paradigma: desenvolvedores e plataformas agora podem ser responsabilizados legalmente por falhas na restrição do uso ilícito.

Embora o relatório seja revelador, outras fontes confirmam e expandem essas tendências. A Chainalysis relatou que mais de US$2,17 bilhões foram roubados dentro de serviços até meados de 2025 — já mais do que toda a contagem de 2024 — com agentes ligados à Coreia do Norte responsáveis por quase US$1,5 bilhão no infame hack da ByBit, agora o maior roubo de criptomoedas registrado.

Uma análise paralela identificou um aumento de 1.025% nos ataques de phishing e engenharia social, além de violações mais complexas baseadas em IA, possibilitadas por APIs e protocolos inseguros — demonstrando vulnerabilidades sistêmicas mais amplas.

No primeiro semestre de 2025, um forte aumento no roubo de criptomoedas, impulsionado em grande parte por ataques de CEX, e a lavagem de dinheiro extremamente rápida expuseram os pontos cegos dos sistemas de conformidade atuais. Com hackers limpando tokens roubados em minutos e reguladores elevando o nível de responsabilidade, as exchanges e os VASPs precisam adotar urgentemente sistemas de monitoramento em tempo real e capacidades de resposta mais rápidas. O cenário está mudando: a prevenção não é apenas uma prática recomendada, é obrigatória.


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