IA, Blockchain e o futuro das compras

IA, Blockchain e o futuro das compras

A inteligência artificial não consegue comprar um café no Starbucks para você — mas, segundo Kevin O’Leary, isso poderá mudar com a integração entre IA e tecnologia BLOCKCHAIN. Para o investidor e coapresentador do Shark Tank, a “próxima revolução nos negócios” será impulsionada pela convergência dessas duas tecnologias. Ele prevê um futuro em que agentes autônomos de IA gerenciam toda a logística das compras, enquanto redes blockchain liquidam pagamentos de forma instantânea e transparente.

O’Leary descreve esse futuro com um exemplo cotidiano. Ele afirma:

“Quero um latte grande com leite desnatado, por favor. Chegarei lá em 90 segundos.”

A partir daí, a IA cuidaria de tudo: analisaria a localização do usuário, encontraria o varejista ideal, faria o pedido e realizaria o pagamento via blockchain. Quando o cliente chegasse, o café estaria pronto — e já pago.

Esse conceito, chamado de IA Agente, já está deixando de ser ficção científica. Diferente da IA generativa atual, que apenas responde perguntas, um sistema agente executa tarefas de múltiplas etapas para atingir um objetivo. Isso já aparece em aplicações reais, como na plataforma descentralizada AETHIR, onde um executivo relatou que sua esposa criou um agente de IA para gerenciar as compras da família. O agente mantém inventário por comandos como “ei, acabou o leite”, aprende padrões de consumo e acompanha promoções em varejistas como Target, Whole Foods e Amazon, avisando quando algum item está mais barato e montando toda a lista de compras.

Esse tipo de IA pode faturar mais de um trilhão de dólares em receita B2C até 2030, segundo analistas. Atuando como um concierge digital, ela cuida da pesquisa, comparação de preços e pedidos. Contudo, como destaca O’Leary, o maior obstáculo ainda é o pagamento: para funcionar em escala de um Walmart ou Target, a rede precisa suportar milhões de transações diárias a custo mínimo.

É nesse ponto que sua visão enfrenta limitações. O’Leary critica as soluções atuais, afirmando que uma rede como o ETHEREUM não consegue atender essa demanda. Ele descreve o Ethereum como uma “longa estrada” que leva a um “pedágio” e se congestiona em horários de pico, gerando lentidão e altas taxas. Para ele, a tecnologia necessária ainda não existe. No entanto, essa crítica desconsidera duas soluções já desenvolvidas especificamente para esse problema.

A primeira é a arquitetura de Grafo Acíclico Direcionado (DAG), uma tecnologia que não usa blocos e permite que transações se validem paralelamente. Redes como HEDERA e NANO foram construídas para esse exato caso de uso: micropagamentos rápidos e com taxas quase zero. Embora ainda não tenham alcançado a adoção do Ethereum, são uma resposta direta ao desafio mencionado, apesar das discussões sobre sua descentralização.

A segunda solução — e a mais importante — é a evolução do próprio ETHEREUM via escalabilidade de Camada 2. A crítica de O’Leary descreve o Ethereum de 2017, não o atual. Hoje, rollups funcionam como “vias expressas” que agrupam milhares de microtransações fora da cadeia principal, processam-nas rapidamente e liquidam tudo em uma única transação na rede principal segura. Isso já permite milhares de transações por segundo, oferecendo exatamente a escalabilidade que ele afirma faltar.

O futuro imaginado por O’Leary está muito próximo. Os agentes de IA estão sendo construídos, aprendendo a fazer compras e gerenciar listas. A peça “faltando”, segundo ele, é o sistema de pagamento — mas essa tecnologia já existe. O verdadeiro desafio agora não é criação, e sim adoção, implementação e consenso sobre qual dessas soluções será o padrão da próxima era do comércio.


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