Em uma mudança significativa para o cenário financeiro da América Latina, o ITAÚ UNIBANCO, o maior banco privado da região, integrou oficialmente o Bitcoin em suas diretrizes de investimento estratégico para 2026. Por meio de um novo relatório de pesquisa divulgado em meados de dezembro de 2025, a gestora de ativos do banco recomendou que investidores de longo prazo aloquem entre 1% e 3% de seus portfólios totais à principal criptomoeda do mundo. Essa mudança sinaliza uma transição da visão de ativos digitais como ferramentas puramente especulativas para o reconhecimento de sua importância como componentes essenciais de um portfólio moderno e diversificado.
Renato Eid, que lidera as estratégias beta na ITAÚ ASSET MANAGEMENT, enfatizou que o Bitcoin agora serve como uma proteção crucial contra os desafios únicos enfrentados pela economia brasileira. Ao longo de 2025, os investidores no Brasil enfrentaram um duplo desafio: a incerteza dos preços globais e as significativas flutuações no valor do real.
Ao manter uma posição modesta em um ativo descentralizado e global por natureza, os investidores podem potencialmente proteger seu poder de compra da erosão frequentemente associada à volatilidade da moeda local. Os dados internos do banco mostram que seu ETF de Bitcoin listado localmente, conhecido pelo código BITI11, mantém uma baixa correlação com ações e produtos de renda fixa tradicionais do mercado interno. Isso o torna uma ferramenta eficaz para equilibrar o risco.
A recomendação surge em um momento em que o consenso institucional global começa a se consolidar em torno de faixas de alocação semelhantes. A sugestão do ITAÚ reflete atualizações recentes de grandes instituições dos Estados Unidos, como BANK OF AMERICA e MORGAN STANLEY, que passaram a permitir alocações em criptomoedas de até 4% para determinados clientes.

No entanto, para os investidores brasileiros, a lógica está singularmente ligada aos ciclos econômicos do país. O ITAÚ descreve o Bitcoin como um instrumento híbrido — parte ativo de crescimento de alto risco e parte reserva de valor global. Esse perfil oferece uma forma de resiliência financeira que os títulos do governo tradicionais não conseguem mais garantir plenamente em um mundo marcado por choques externos frequentes.
O ITAÚ vem construindo de forma consistente a infraestrutura para sustentar essa visão há vários anos. Após lançar seus primeiros produtos relacionados a criptomoedas no final de 2022, o banco expandiu sua divisão de ativos digitais em 2025. Hoje, oferece um conjunto abrangente de opções em sua plataforma de investimentos, que vão desde a negociação direta de ativos como Ethereum, Solana e diversas stablecoins até fundos de previdência regulamentados com exposição a criptomoedas, sempre dentro de canais seguros e em conformidade regulatória.
Apesar do endosso profissional, o banco mantém a posição de que o Bitcoin deve permanecer como um investimento complementar, e não como um pilar central de um portfólio. A orientação enfatiza a importância de uma abordagem disciplinada de longo prazo, alertando para os riscos de tentar prever o mercado em períodos de alta volatilidade. Para muitos poupadores brasileiros, uma alocação de 3% representa uma forma controlada de acessar o potencial de crescimento da economia digital sem comprometer todo o patrimônio.
Com a aproximação de 2026, espera-se que a iniciativa do ITAÚ incentive outras instituições financeiras da região a reavaliarem suas posições em relação aos ativos digitais. Com mais de um trilhão de reais sob gestão, a pesquisa do banco tem peso significativo e pode desencadear uma nova onda de investimentos institucionais no ecossistema cripto brasileiro. A normalização do Bitcoin em um dos sistemas bancários mais conservadores e consolidados do mundo marca um capítulo decisivo na evolução do dinheiro na América Latina.

