A institucionalização de ativos digitais no Brasil atingiu um marco crucial no final de 2025. Em meados de dezembro, a VALOUR, subsidiária da DEFI TECHNOLOGIES, lançou oficialmente seu produto Solana, negociado em bolsa (ETP), na B3, a principal bolsa de valores do Brasil. Negociado sob o código VSOL, o produto permite que investidores locais acessem o ecossistema Solana por meio das mesmas contas de corretagem regulamentadas que utilizam para ações tradicionais.
O lançamento do VSOL consolida a integração das criptomoedas ao mercado financeiro tradicional brasileiro. Este lançamento é a mais recente adição a um conjunto crescente de ofertas de ativos digitais na B3, juntando-se aos ETPs de Bitcoin, Ether, XRP e Sui, também lançados neste mês.
A introdução do VSOL é uma resposta à crescente demanda do Brasil por acesso regulamentado a criptomoedas. De acordo com o Índice Global de Adoção de Criptomoedas da CHAINALYSIS de 2025, o Brasil consolidou sua posição como o quinto país mais adotado no mundo em criptomoedas, liderando toda a América Latina. O Brasil se destaca globalmente como um dos mercados mais maduros em adoção cripto. O sucesso do país é impulsionado por uma combinação única de entusiasmo do varejo e um setor institucional altamente sofisticado. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o Brasil registrou mais de 318 bilhões de dólares em volume de transações com criptomoedas, representando quase um terço de toda a atividade na região.
Um fator importante para essa adoção é a abordagem regulatória proativa do país. A implementação da Lei de Ativos Virtuais forneceu diretrizes claras para os provedores de serviços, enquanto o BANCO CENTRAL DO BRASIL se consolidou como líder global na integração da tecnologia blockchain à economia formal. A clareza regulatória foi decisiva para a expansão segura do mercado cripto no país. Esse ambiente permitiu que bancos tradicionais, como o ITAÚ, e neobancos, como o NUBANK, oferecessem serviços com criptomoedas a milhões de clientes, tornando os ativos digitais parte integrante do conjunto de ferramentas financeiras brasileiras.

Embora os ETPs (Exchange Traded Payments) ofereçam uma porta de entrada para investimentos, o uso prático do blockchain no Brasil é cada vez mais dominado por stablecoins e pela tokenização de ativos reais. Relatórios recentes indicam que mais de 90% de todos os fluxos de criptomoedas no Brasil estão relacionados a stablecoins, utilizadas principalmente para pagamentos internacionais e como uma alternativa mais rápida ao sistema SWIFT tradicional. As stablecoins tornaram-se o principal caso de uso do blockchain no Brasil. Em dezembro de 2025, a B3 anunciou seu próprio projeto para lançar uma stablecoin atrelada ao mercado real, com o objetivo de facilitar a negociação 24 horas por dia de ativos tokenizados e reduzir ainda mais a fricção de liquidação para investidores institucionais.

A tokenização de ativos do mundo real também está atingindo um ponto de inflexão. O MERCADO BITCOIN, uma das maiores plataformas da região, anunciou recentemente uma emissão massiva de US$ 200 milhões em instrumentos de renda fixa e variável tokenizados nas redes STELLAR e MANTRA. A tokenização começa a transformar profundamente o mercado de capitais brasileiro. Essa iniciativa visa atender à crescente demanda institucional por “finanças programáveis”, onde dívida corporativa e crédito privado podem ser divididos em tokens digitais líquidos. Ao automatizar o pagamento de juros e as verificações de conformidade por meio de contratos inteligentes, a tokenização está reduzindo significativamente os custos administrativos para pequenas e médias empresas brasileiras que buscam financiamento alternativo.
À medida que o mercado avança para 2026, o Brasil se posiciona para se tornar o principal laboratório para a convergência entre as finanças tradicionais e a economia descentralizada. A crescente oferta de ETPs digitais do Brasil — que agora inclui redes de camada 1 como Solana e Sui, além de infraestrutura de dados modular — sugere que os investidores estão buscando crescimento a longo prazo além do Bitcoin. O Brasil deixa de ser apenas adotante e passa a definir padrões globais de integração blockchain. Com uma infraestrutura de mercado de capitais unificada e uma população bastante familiarizada com o sistema bancário digital, o Brasil não é mais apenas um participante da criptoeconomia; ele está cada vez mais ditando o padrão de como uma nação moderna integra a tecnologia blockchain.

