Solana testa transações resistentes à computação quântica

Solana testa transações resistentes à computação quântica

Embora o debate sobre o “apocalipse quântico” muitas vezes pareça uma hipótese distante, a FUNDAÇÃO SOLANA tomou medidas para tornar a segurança pós-quântica uma realidade tangível. Em meados de dezembro de 2025, a rede anunciou uma parceria histórica com o Project Eleven para testar a resiliência da Solana contra a próxima geração de poder computacional. Essa iniciativa resultou na primeira implementação bem-sucedida de transações resistentes à computação quântica de ponta a ponta em uma testnet da Solana. Essa iniciativa, conhecida como projeto piloto do Project Eleven, comprovou que a velocidade característica da rede pode ser mantida mesmo quando protegida por camadas criptográficas significativamente mais complexas.

O projeto piloto começou com uma “avaliação de ameaças” abrangente que identificou as vulnerabilidades específicas na arquitetura atual da Solana. Como a maioria dos blockchains modernos, a Solana utiliza o esquema de assinatura digital Ed25519, que é altamente eficiente, mas matematicamente vulnerável ao algoritmo de Shor — um processo quântico que pode derivar uma chave privada a partir de sua contraparte pública. O objetivo central foi construir um protótipo funcional usando padrões pós-quânticos do NIST, e não apenas discutir riscos teóricos. A análise do Project Eleven abrangeu toda a infraestrutura, desde as carteiras individuais dos usuários até as identidades dos validadores que protegem a rede.

Uma das descobertas mais significativas do projeto piloto foi que a criptografia pós-quântica não precisa ser um fator limitante para o desempenho. Historicamente, os criptógrafos temiam que esses novos algoritmos fossem tão computacionalmente pesados que prejudicariam blockchains de alto desempenho como a Solana. Os testes mostraram que assinaturas pós-quânticas podem coexistir com finalização em menos de um segundo. No entanto, os resultados da rede de testes mostraram que, ao utilizar assinaturas baseadas em reticulados — especificamente FIPS 204 (Dilithium) — a rede ainda poderia alcançar esse nível de desempenho.

Embora essas assinaturas sejam aproximadamente cinco vezes mais “caras” para gerar do que as tradicionais, elas são quase duas vezes mais rápidas para verificar. Essa compensação favorece a arquitetura da Solana, baseada em múltiplos validadores verificando um único líder. Essa dinâmica reduz o impacto prático do aumento de complexidade criptográfica.

A urgência dessa transição é impulsionada pela crescente ameaça de ataques do tipo “collect now, decrypt later”. Ao implementar resistência quântica agora, a Solana busca garantir que transações realizadas hoje permaneçam seguras por décadas. Nesse cenário, agentes maliciosos coletam dados criptografados no presente para quebrá-los futuramente com computadores quânticos mais avançados, o que torna a adoção antecipada um diferencial estratégico.

Apesar do sucesso técnico, o setor permanece dividido quanto ao cronograma da ameaça real. O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, estimou recentemente uma probabilidade de 20% de que computadores quânticos possam quebrar a criptografia atual antes de 2030, enquanto veteranos do Bitcoin, como Adam Back, sugerem que o perigo está a pelo menos 20 a 40 anos de distância. A divergência revela que o debate está longe de um consenso sobre prazos.

Independentemente da data exata, o vice-presidente de tecnologia da Solana, Matt Sorg, enfatizou que a cultura do ecossistema exige ação imediata. A próxima fase envolverá caminhos de migração que permitam a adoção da segurança pós-quântica sem interromper a rede. O foco agora é permitir que usuários transfiram seus ativos para novos cofres seguros de forma gradual e transparente.

Com a aproximação de 2026, o foco está mudando da viabilidade técnica para a coordenação social necessária para uma atualização dessa magnitude. O maior desafio deixou de ser criptográfico e passou a ser o consenso entre os participantes da rede. Para a Solana, o projeto piloto Eleven envia um sinal claro ao mercado: quando a era quântica chegar, a infraestrutura básica para uma economia digital segura já estará pronta.


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