Meta nega ter acesso a conversas do WhatsApp

Meta nega ter acesso a conversas do WhatsApp

No início de 2026, o mundo da tecnologia foi atingido por um grande confronto legal que desafia o próprio fundamento da privacidade digital. Um grupo internacional de demandantes entrou com uma ação coletiva contra a META PLATFORMS em um tribunal federal de São Francisco, alegando que a criptografia de ponta a ponta do WhatsApp é um “simulacro”. A ação, protocolada em 23 de janeiro, inclui usuários da Índia, Austrália, Brasil, México e África do Sul que argumentam que a empresa enganou mais de dois bilhões de pessoas sobre a real segurança de suas conversas.

A META respondeu com uma negação veemente e imediata. O diretor de comunicação, Andy Stone, classificou a ação como uma “obra de ficção frívola”, reiterando que o WhatsApp utiliza o protocolo SIGNAL há uma década. Stone enfatizou que o sistema garante que apenas o remetente e o destinatário possuam as chaves para descriptografar as comunicações. A empresa chegou ao ponto de ameaçar com sanções legais os advogados dos demandantes, sinalizando uma postura de defesa agressiva.

O cerne do processo baseia-se em alegações de denunciantes anônimos que afirmam existir uma “porta lateral” para acesso interno. De acordo com a denúncia de 51 páginas, funcionários da META poderiam burlar a criptografia através de um widget interno após uma simples solicitação de tarefa. Os autores alegam que esse acesso permitiria visualizar mensagens em tempo real e até recuperar conteúdos que os usuários acreditavam ter apagado.

Embora o processo pinte um quadro alarmante, críticos apontam a ausência de evidências técnicas robustas, como registros de rede ou amostras de código. No entanto, a ação ganha tração ao citar uma denúncia de 2025 de um ex-chefe de segurança, alegando que mais de 1.500 engenheiros tinham acesso irrestrito a metadados sensíveis. Especialistas em segurança continuam a defender a robustez da implementação do protocolo SIGNAL, mas o debate sobre a supervisão interna da META nunca esteve tão aceso.

A controvérsia serviu de combustível para ataques de concorrentes de peso. Pavel Durov, CEO do TELEGRAM, afirmou que “é preciso ser desinformado para acreditar na segurança do WhatsApp em 2026”, alegando ter identificado múltiplos vetores de ataque no código rival. Elon Musk também entrou na discussão, incentivando a migração para o X CHAT, serviço lançado por sua empresa no final de 2025 que utiliza uma arquitetura baseada em Rust e criptografia inspirada no Bitcoin.

Em meio ao clima de desconfiança, soluções descentralizadas emergem como o novo refúgio. Um destaque é o BITCHAT, aplicativo desenvolvido por Jack Dorsey que opera via redes mesh Bluetooth, permitindo o envio de mensagens sem necessidade de internet ou servidores centrais. Lançado oficialmente em julho de 2025, o BITCHAT utiliza o protocolo NOSTR para alcance global e teve um aumento expressivo de adoção em regiões com censura ou infraestrutura instável, como Uganda e Irã.

Outros aplicativos como SESSION e X-MESSENGER também ganham espaço ao permitir cadastros sem número de telefone e operar em nós descentralizados. Essas plataformas dificultam significativamente o monitoramento, oferecendo o que chamam de verdadeira soberania digital. À medida que a batalha judicial em São Francisco avança, ela força o mundo a questionar se a privacidade em softwares proprietários é um fato técnico ou apenas uma promessa de marketing.


Veja mais em: Segurança | Notícias

Compartilhe este post

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Deixe um comentário