O Ether pode permanecer em trajetória lateral nas próximas semanas, após já ter incorporado boa parte dos riscos macroeconômicos e catalisadores regulatórios de curto prazo no preço. O mercado parece ter antecipado as más notícias.
A avaliação é de Pav Hundal, analista-chefe da SWYFTX, que afirma que grande parte da incerteza imediata em torno do Ethereum já está refletida nas cotações.
“Muita da incerteza de curto prazo já está precificada no Ethereum. Não me surpreenderia ver o ETH relativamente contido nas próximas semanas.”
Segundo Hundal, fatores como tensões geopolíticas — incluindo o agravamento de questões envolvendo o Irã — e os avanços legislativos nos Estados Unidos em torno do chamado CLARITY Act já foram absorvidos pelo mercado.
O Ether também ainda estaria reconstruindo confiança após o evento de liquidação em massa ocorrido em outubro, que eliminou cerca de US$ 19 bilhões em posições alavancadas.
“Outubro removeu US$ 19 bilhões do mercado, e agora o sentimento do consumidor caiu para níveis que não víamos desde 2022.”

Dados do CoinMarketCap mostram que o Ether acumula queda de 31,65% nos últimos 30 dias. Desde o pico de aproximadamente US$ 4.687 em outubro, a desvalorização chega a 56,8%. No momento, o ativo é negociado próximo de US$ 2.021.
Enquanto isso, o Bitcoin alcançou recentemente uma nova máxima histórica de US$ 126.100, ampliando o contraste entre as duas maiores criptomoedas do mercado. O desempenho relativo pesa na narrativa.
Hundal argumenta que muitos investidores estão concentrados em identificar a próxima fonte de liquidez — como fluxos institucionais ou estímulos monetários — mas ignoram um fator central: o humor do consumidor.
Para ele, o sentimento é o indicador subestimado do momento. O Crypto Fear & Greed Index, que mede o apetite ao risco no mercado cripto, registrou 13 pontos recentemente — nível classificado como “medo extremo”.
Esse ambiente psicológico limita movimentos de alta mais consistentes, já que investidores de varejo tendem a adotar postura defensiva quando a confiança está deteriorada.
Apesar disso, há sinais divergentes no segmento institucional. A BitMine Immersion Technologies, considerada a maior empresa com tesouraria em Ether, ampliou recentemente suas reservas ao adquirir 45.759 ETH. A companhia agora detém 4.371.497 ETH, o equivalente a cerca de 3,62% dos 120,7 milhões de ETH em circulação. Enquanto o varejo hesita, grandes players acumulam.
O contraste evidencia uma dinâmica recorrente no mercado cripto: períodos de apatia costumam coexistir com movimentos estratégicos de longo prazo.
No horizonte de médio prazo, Hundal acredita que o Ether pode testar até mesmo investidores experientes, principalmente se continuar apresentando desempenho inferior ao Bitcoin. No entanto, ele observa com atenção a relação ETH/BTC — métrica que mede a força relativa entre os dois ativos.
Segundo dados da TradingView, o par ETH/BTC avançou 3,58% nos últimos sete dias. Embora o movimento seja modesto, pode indicar início de rotação de capital caso a tendência se consolide.
“É aí que as coisas podem ficar potencialmente explosivas.”
A possível retomada de força relativa do Ether frente ao Bitcoin costuma atrair fluxos especulativos adicionais, especialmente de investidores que buscam maior beta dentro do universo cripto. Por ora, porém, o cenário é de cautela. Sem melhora no sentimento, a consolidação tende a prevalecer.
A trajetória nas próximas semanas dependerá não apenas de fatores macroeconômicos e regulatórios, mas também da recuperação da confiança — variável intangível que, no mercado de ativos digitais, frequentemente antecede movimentos mais amplos de preço.
