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Laboratório quântico reacende debate sobre segurança do Bitcoin

Laboratório quântico reacende debate sobre segurança do Bitcoin

A empresa de computação quântica PSIQUMANTUM deu um passo significativo rumo ao desenvolvimento do que pode ser o primeiro computador quântico verdadeiramente útil em escala industrial. A companhia iniciou a construção de uma instalação gigantesca projetada para abrigar um sistema com 1 milhão de qubits — um nível de poder computacional que, segundo alguns pesquisadores, poderia teoricamente quebrar os sistemas criptográficos que protegem o Bitcoin. A corrida quântica entrou em uma nova fase.

O cofundador da empresa, Peter Shadbolt, divulgou imagens do canteiro de obras em Chicago, nos Estados Unidos, mostrando a escala da infraestrutura que está sendo construída. Segundo ele, cerca de 500 toneladas de aço foram erguidas em apenas seis dias para formar a estrutura inicial do prédio que abrigará o sistema quântico.

O projeto representa um dos maiores investimentos globais em computação quântica aplicada. A infraestrutura é monumental e a ambição também.

A PSIQUMANTUM já havia anunciado em setembro que levantou aproximadamente US$ 1 bilhão para financiar o projeto. O desenvolvimento do sistema ocorre em parceria com a fabricante de chips NVIDIA, uma das empresas mais influentes no mercado global de inteligência artificial.

O objetivo da instalação é hospedar computadores quânticos capazes de operar mesmo com erros — um dos principais desafios técnicos que ainda limitam o avanço da tecnologia.

De acordo com a empresa, o novo sistema terá capacidade de processamento equivalente a dezenas de bilhões de computadores tradicionais trabalhando simultaneamente.

A meta é tornar a computação quântica comercialmente viável e aplicável em áreas como inteligência artificial avançada, modelagem científica e simulações complexas. A computação quântica promete redefinir os limites da tecnologia.

O anúncio reacendeu um debate recorrente dentro da comunidade do Bitcoin: o risco que computadores quânticos representam para os sistemas criptográficos que protegem a rede.

O Bitcoin utiliza criptografia baseada em curvas elípticas, considerada extremamente segura para computadores clássicos. No entanto, algoritmos quânticos teóricos — como o algoritmo de Shor — poderiam, em princípio, quebrar essas chaves criptográficas se executados em hardware suficientemente poderoso.

Esse cenário preocupa parte da comunidade cripto, já que a rede atualmente protege um valor de mercado superior a US$ 1,4 trilhão. Se a criptografia falhar, o impacto seria global.

Ainda assim, muitos especialistas acreditam que a ameaça prática está distante. Adam Back, CEO da empresa de infraestrutura blockchain BLOCKSTREAM e um dos pioneiros da criptografia moderna, já afirmou que computadores quânticos capazes de ameaçar o Bitcoin provavelmente estão a pelo menos uma década de distância.

A estimativa reflete o enorme desafio técnico envolvido na construção de sistemas quânticos estáveis e escaláveis. A ameaça existe, mas pode levar anos para se materializar.

Mesmo assim, desenvolvedores do Bitcoin já discutem possíveis estratégias de mitigação. Entre elas está a possibilidade de implementar atualizações na rede por meio de um hard fork que introduza algoritmos criptográficos resistentes a ataques quânticos.

Esse tipo de atualização exigiria consenso entre participantes da rede e poderia levar anos para ser implementado. Outro ponto relevante envolve quais moedas seriam realmente vulneráveis a um eventual ataque quântico. Os bitcoins mais expostos são aqueles armazenados em endereços antigos que nunca realizaram transações — conhecidos como UTXOs (unspent transaction outputs).

Endereços antigos representam o ponto mais frágil. Isso ocorre porque esses endereços possuem chaves públicas já visíveis na blockchain, o que facilitaria a tentativa de derivar suas chaves privadas usando algoritmos quânticos.

Muitas dessas moedas pertencem às primeiras fases da história do Bitcoin, incluindo possivelmente as atribuídas ao criador da criptomoeda, Satoshi Nakamoto. O número exato de qubits necessários para quebrar a criptografia do Bitcoin ainda é objeto de debate científico.

Pesquisas recentes sugerem que cerca de 100 mil qubits poderiam ser suficientes para quebrar chaves criptográficas de 2048 bits — embora o Bitcoin utilize um padrão de 256 bits baseado em curvas elípticas.

Atualmente, o maior computador quântico operacional pertence ao CALIFORNIA INSTITUTE OF TECHNOLOGY e possui cerca de 6.100 qubits. Ainda há uma enorme distância tecnológica a ser percorrida.

Os próprios executivos da PSIQUMANTUM afirmam que não pretendem usar a tecnologia para explorar vulnerabilidades em criptomoedas.

Terry Rudolph, outro cofundador da empresa, disse durante o evento Quantum Bitcoin Summit que a companhia não planeja usar computadores quânticos para derivar chaves privadas a partir de chaves públicas.

“Não temos planos para isso. Não é algo que poderia ser escondido — somos uma empresa com centenas de funcionários.”

Mesmo que computadores quânticos se tornem capazes de quebrar criptografia no futuro, o impacto potencial no mercado pode ser menor do que alguns imaginam. Um estudo da gestora de ativos digitais COINSHARES estimou que apenas cerca de 10.230 bitcoins atualmente estão simultaneamente vulneráveis a ataques quânticos e armazenados em endereços com chaves públicas expostas.

Isso representa aproximadamente US$ 728 milhões — uma quantia significativa, mas relativamente pequena dentro do mercado total do Bitcoin. Mesmo um ataque bem-sucedido poderia parecer apenas mais uma grande transação no mercado.


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