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Capital de risco volta ao setor de criptomoedas

Capital de risco volta ao setor de criptomoedas

O financiamento para empresas de criptomoedas voltou a crescer de forma significativa, mas com uma dinâmica diferente dos ciclos anteriores. Dados da empresa de análise MESSARI indicam que o volume total de investimentos em startups do setor aumentou quase 50% entre março de 2025 e março de 2026. O dinheiro voltou ao mercado, mas está mais seletivo.

Segundo o levantamento, a quantidade de capital disponível cresceu mesmo com uma queda expressiva no número total de rodadas de investimento. Durante o período analisado, o número de negócios fechados caiu aproximadamente 46%.

Esse contraste revela uma mudança clara na estratégia dos fundos de venture capital. Em vez de distribuir investimentos em muitas empresas jovens, investidores passaram a concentrar recursos em rodadas maiores e em projetos mais avançados. Menos apostas, mas muito maiores.

Os números confirmam essa tendência. O tamanho médio das rodadas de financiamento no setor cripto subiu para cerca de US$ 34 milhões no último ano. Isso representa um aumento de aproximadamente 272% em relação ao período anterior.

Ao mesmo tempo, o número de investidores ativos diminuiu significativamente. Segundo a MESSARI, houve uma redução de cerca de 34,5%, deixando o total em aproximadamente 3.225 investidores participando de rodadas de financiamento no setor. Esse fenômeno indica uma consolidação gradual do mercado de capital de risco.

O dinheiro está se concentrando em menos mãos. De acordo com a análise divulgada pelo CEO da MESSARI, Eric Turner, o fluxo de capital tem sido fortemente influenciado por megainvestimentos estratégicos em empresas já consolidadas.

“A concentração de capital é fortemente influenciada por rodadas de investimento estratégicas e em estágio avançado.”

Esse padrão ficou evidente em fevereiro, quando apenas três rodadas de investimento foram responsáveis por 44% de todo o capital captado no mês. Três empresas absorveram quase metade do capital disponível. Entre essas operações está um investimento de US$ 200 milhões realizado pela empresa de stablecoins TETHER na plataforma de comércio digital WHOP.

Outro destaque foi a rodada de US$ 75 milhões da plataforma de mercados de previsão NOVIG, voltada para apostas esportivas descentralizadas. O financiamento foi liderado pelo fundo de investimento PANTERA CAPITAL, um dos principais investidores institucionais do setor cripto. Também ganhou destaque a fintech latino-americana ARQ, que levantou US$ 70 milhões em uma rodada Série B liderada pela SEQUOIA CAPITAL.

A empresa desenvolve um aplicativo financeiro focado no uso de stablecoins na América Latina. Startups com modelos de negócio claros atraem mais capital.

(Variação mensal na arrecadação de fundos em criptomoedas nos últimos cinco anos.)

Apesar do aumento anual no volume de financiamento, o ritmo recente mostra sinais de desaceleração. O total de US$ 795 milhões captados no último mês representa uma queda de aproximadamente 65,3% em relação aos 30 dias anteriores.

Esse comportamento reforça a percepção de que o mercado ainda está em fase de ajuste após o período de exuberância observado nos anos anteriores. O ciclo de capital ainda não voltou ao auge. Turner destacou que o setor também enfrenta uma escassez de novos fundos de investimento especializados em criptomoedas. Segundo ele, fora a DRAGONFLY CAPITAL, poucas grandes firmas de venture capital lançaram novos veículos de investimento recentemente. Essa situação pode limitar o crescimento do setor no curto prazo.

“A indústria precisa de capital novo.”

Sem novos fundos, o crescimento pode desacelerar. Ainda assim, alguns investidores continuam ativos. Dados da MESSARI indicam que nos últimos três meses empresas como COINBASE VENTURES, QUBIC LABS e SOMNIA foram as mais ativas no financiamento de projetos ligados ao ecossistema blockchain.

Mesmo com essa atividade, o setor ainda está distante dos níveis registrados no auge do mercado. Entre novembro de 2021 e maio de 2022, o financiamento mensal para startups cripto frequentemente ultrapassava US$ 4 bilhões. Desde então, esse patamar foi atingido apenas três vezes.

O boom de investimentos da era cripto ainda não voltou. Outro fator que influencia o comportamento dos investidores é a competição com outros setores tecnológicos. Nos últimos dois anos, uma parte significativa do capital de risco global migrou para áreas como inteligência artificial e computação de alto desempenho.

Esses segmentos passaram a atrair grandes volumes de investimento, reduzindo a fatia destinada a startups de blockchain. A inteligência artificial virou o novo foco do venture capital. Mesmo assim, a atividade de financiamento em estágio inicial continua relativamente intensa dentro do setor cripto. A MESSARI observa que rodadas early-stage permanecem frequentes, embora bastante fragmentadas. Um exemplo recente foi a startup INTERSTATE, que levantou US$ 1,5 milhão em uma rodada realizada.

O financiamento contou com mais de 15 participantes diferentes, incluindo fundos como BLOCCELERATE VC e investidores-anjo individuais, como Sergey Gorbunov. O ecossistema continua atraindo novos empreendedores.

Esse padrão indica que, embora os grandes cheques estejam concentrados em empresas mais maduras, a base de inovação do setor permanece ativa. Startups continuam surgindo, testando novos modelos e desenvolvendo infraestrutura para o mercado digital. Se o ciclo de investimentos voltar a aquecer nos próximos anos, muitos desses projetos poderão se tornar os próximos protagonistas da indústria blockchain. O capital está mais seletivo — mas a inovação continua em movimento.


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