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Coreia do Sul aposta em IA para vigiar lucros com criptomoedas

Coreia do Sul aposta em IA para vigiar lucros com criptomoedas

A Coreia do Sul está se preparando para dar um passo decisivo na regulação do mercado cripto. O governo quer usar inteligência artificial para fechar o cerco contra a evasão fiscal. A autoridade tributária do país iniciou um processo para desenvolver um sistema baseado em IA capaz de rastrear ganhos com ativos digitais, antecipando a implementação de um imposto específico prevista para 2027.

De acordo com informações divulgadas pelo THE KOREA TIMES, o projeto envolve a criação de uma plataforma integrada capaz de analisar grandes volumes de dados de transações em criptomoedas. O investimento estimado gira em torno de 3 bilhões de won sul-coreanos — cerca de US$ 2 milhões — e reflete uma tendência global de modernização das ferramentas de fiscalização fiscal.

A tecnologia entra como peça-chave para lidar com a complexidade dos dados cripto. O sistema utilizará algoritmos de machine learning para identificar padrões incomuns, classificar tipos de transação e detectar possíveis tentativas de evasão. Esse tipo de abordagem já vem sendo adotado por autoridades fiscais em países como Estados Unidos e Reino Unido, segundo relatórios da ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD), que destaca a crescente digitalização das estratégias de compliance tributário.

A iniciativa ocorre em paralelo à definição do novo regime de tributação sobre criptomoedas no país. A proposta prevê a cobrança de um imposto total de 22% sobre ganhos anuais que excedam 2,5 milhões de won (aproximadamente US$ 1.700), combinando 20% de imposto de renda com 2% de tributo local. A medida marca uma mudança estrutural na forma como ativos digitais são tratados pelo sistema fiscal.

O cronograma do projeto já está em andamento. A expectativa é que um fornecedor seja selecionado até março, com o desenvolvimento começando em abril. Testes serão realizados ao longo do ano, seguidos por um programa piloto em novembro. O lançamento oficial do sistema está previsto para ocorrer entre o fim de novembro e dezembro, pouco antes da entrada em vigor do novo imposto.

O objetivo é transformar dados dispersos em inteligência fiscal acionável. A plataforma deverá permitir não apenas o monitoramento em larga escala, mas também apoiar auditorias, identificar rendimentos ocultos e mapear contribuintes em situação irregular. Segundo a autoridade tributária sul-coreana, o sistema também facilitará o compartilhamento de informações com outras instituições, como o Serviço de Alfândega e o Banco da Coreia, ampliando a coordenação entre órgãos públicos.

Esse movimento não acontece isoladamente. A regulação de criptomoedas tem avançado em diferentes países, impulsionada pela necessidade de equilibrar inovação com arrecadação e controle. Um relatório recente do INTERNATIONAL MONETARY FUND (IMF) destaca que a ausência de mecanismos eficazes de monitoramento pode comprometer a base tributária dos governos, especialmente em mercados digitais de alta mobilidade.

A implementação do imposto, no entanto, não foi simples. A política enfrentou sucessivos adiamentos desde sua aprovação inicial em 2020. Em 2024, legisladores chegaram a debater se a taxação deveria entrar em vigor em 2025 ou ser novamente postergada, diante da pressão da indústria e divergências políticas sobre limites de isenção.

Esse histórico revela a sensibilidade do tema. Por um lado, há o interesse do governo em ampliar a arrecadação e reduzir práticas ilegais. Por outro, o setor cripto argumenta que regulações excessivas podem sufocar a inovação e afastar investidores. O equilíbrio entre controle e crescimento continua sendo o principal desafio.

A aposta na inteligência artificial surge justamente como uma tentativa de resolver essa equação. Ao automatizar a análise de dados e aumentar a capacidade de fiscalização, o governo busca reduzir a evasão sem necessariamente impor restrições operacionais diretas ao mercado. Segundo a PWC, o uso de IA em administração tributária pode aumentar significativamente a eficiência na detecção de irregularidades, ao mesmo tempo em que reduz custos operacionais.

No cenário global, a iniciativa da Coreia do Sul pode servir de referência. Países que enfrentam dificuldades para monitorar transações em blockchain observam com atenção soluções baseadas em análise automatizada. A tendência é que a fiscalização digital se torne tão sofisticada quanto o próprio mercado cripto.

Se bem-sucedido, o modelo sul-coreano poderá redefinir a relação entre governos e ativos digitais. Mais do que uma ferramenta de controle, a IA passa a ser um elemento central na construção de sistemas tributários adaptados à economia digital.


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