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Fim da “altseason” das criptomoedas?

A ideia de um ciclo amplo de valorização das altcoins — conhecido como altseason — pode ter ficado para trás diante das transformações recentes do mercado cripto. Para Andrei Grachev, sócio-gerente da DWF LABS, a dinâmica atual já não comporta aquele padrão clássico em que praticamente todos os tokens subiam juntos impulsionados por liquidez abundante e euforia generalizada. O mercado deixou de premiar volume e passou a exigir seletividade.

O executivo aponta uma combinação de fatores estruturais: excesso de novos projetos, fragmentação da atenção dos investidores e mudanças profundas trazidas pela entrada de capital institucional. Segundo ele, há hoje menos participantes relevantes disputando um número muito maior de ativos, o que dilui o impacto do dinheiro novo. Além disso, produtos como ETFs de criptomoedas vêm concentrando liquidez em poucos ativos dominantes, alterando o fluxo tradicional dentro do ecossistema.

Outro ponto central é a mudança de foco dos grandes investidores. Em vez de apostar em tokens menores, instituições têm priorizado ativos mais consolidados, como Bitcoin e Ethereum, além de soluções ligadas à tokenização de ativos do mundo real — os chamados RWAs. Esse movimento reduz ainda mais o espaço para altcoins especulativas, que dependiam fortemente do varejo para ganhar tração. O capital institucional está redesenhando o mapa de risco e retorno do setor.

(O número total de tokens criptográficos rastreados pelo CoinMarketCap explodiu desde 2023, chegando a mais de 37,8 milhões de tokens únicos.)

A explosão no número de tokens ilustra bem esse cenário. Dados do COINMARKETCAP indicam que o mercado saltou para mais de 37,8 milhões de ativos registrados — um crescimento exponencial desde 2023. Esse excesso de oferta, combinado com capital limitado, cria um ambiente altamente competitivo, em que poucos projetos conseguem capturar atenção e recursos de forma consistente. A abundância de tokens virou um problema estrutural, não um sinal de inovação.

Segundo Grachev, o futuro tende a ser mais duro para projetos frágeis:

“As altcoins vão continuar existindo, mas muitas funcionarão como apostas de alto risco, quase como um cassino. O capital não cresce rápido o suficiente para sustentar tudo isso.”

Essa nova realidade implica ciclos mais curtos e voláteis. Narrativas que antes duravam meses agora podem desaparecer em semanas, à medida que investidores migram rapidamente entre setores e tendências. A lógica de mercado passa a se assemelhar mais a um ambiente de venture capital acelerado, com ganhos concentrados e perdas frequentes. A volatilidade deixou de ser exceção e virou regra operacional.

A visão é compartilhada por Matt Hougan, diretor de investimentos da BITWISE, que afirma que investidores institucionais estão priorizando ativos capazes de gerar fluxo de caixa ou capturar receita. Isso inclui protocolos com modelos sustentáveis, ao invés de tokens baseados apenas em expectativa de valorização. A era do “comprar e esperar hype” perdeu força.

Enquanto isso, os dados recentes reforçam o enfraquecimento das altcoins. Segundo o analista Darkfost, da CRYPTOQUANT, cerca de 38% desses ativos estão próximos de suas mínimas históricas — um desempenho ainda pior do que o observado após o colapso da FTX em 2022.

“A liquidez está sendo diluída pelo número crescente de projetos no mercado”, afirmou o analista.

(A capitalização de mercado das altcoins despencou, enquanto o indicador Altseason aponta que o Bitcoin ainda domina o mercado de criptomoedas.)

Nos últimos 13 meses, mais de US$ 209 bilhões deixaram o mercado de altcoins. Após atingir cerca de US$ 1,19 trilhão em outubro de 2025, o valor total recuou para aproximadamente US$ 719 bilhões, evidenciando uma forte retração de capital. O fluxo de dinheiro está saindo das altcoins com velocidade preocupante.

Em contraste, os ETFs de Bitcoin seguem atraindo investimentos consistentes. Dados da FARSIDE INVESTORS mostram cinco dias consecutivos de entradas líquidas positivas nesses produtos, enquanto ETFs de altcoins continuam registrando saídas. Esse desbalanceamento reforça a concentração de capital em ativos considerados mais seguros dentro do universo cripto.

O resultado é um mercado mais maduro, porém menos democrático. A promessa de valorização ampla deu lugar a um ambiente seletivo, onde poucos projetos capturam valor real. Para investidores, isso exige análise mais rigorosa e menor tolerância ao risco especulativo. A próxima fase das criptomoedas será definida por eficiência — não por euforia coletiva.


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