As ações da exchange GEMINI registraram forte alta no after-hours após a divulgação dos resultados do quarto trimestre. O salto veio mesmo diante de prejuízos maiores, impulsionado por receitas acima do esperado. O mercado reagiu positivamente ao desempenho operacional, especialmente ao crescimento das receitas e às mudanças estratégicas implementadas pela empresa.
A companhia reportou receita de US$ 60,3 milhões no quarto trimestre, um avanço de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número superou as expectativas de analistas, que projetavam cerca de US$ 51,7 milhões. O resultado indica eficiência crescente mesmo em um cenário de queda no volume de negociações. Segundo a empresa, o desempenho foi impulsionado principalmente pela adoção do cartão de crédito da plataforma e por ajustes na estrutura de taxas.
Apesar do crescimento na receita, o prejuízo líquido aumentou significativamente. A GEMINI registrou perdas de US$ 140,8 milhões no trimestre, bem acima dos US$ 27 milhões reportados no ano anterior. O contraste entre receita forte e prejuízo crescente levanta questionamentos sobre sustentabilidade. No acumulado de 2025, a empresa teve um prejuízo total de US$ 585 milhões, frente a US$ 156,6 milhões em 2024.
Em carta aos acionistas, os fundadores Cameron e Tyler Winklevoss destacaram que o quarto trimestre foi o mais lucrativo em termos de receita nos últimos três anos.
“O quarto trimestre foi o período de maior receita da empresa em três anos, refletindo um trabalho deliberado na estrutura de taxas ao longo da segunda metade do ano.”
Eles ressaltaram que o crescimento ocorreu mesmo com a redução no volume de negociações, o que evidencia uma mudança no modelo de monetização. A estratégia passou a priorizar eficiência e margem, não apenas volume.
No mercado, a reação foi imediata. As ações da GEMINI chegaram a subir cerca de 14% no pós-mercado, atingindo US$ 6,83, antes de estabilizar em US$ 6,36, com alta de aproximadamente 5,8%. O movimento reforça a confiança de curto prazo dos investidores.

Os resultados representam apenas o segundo balanço da empresa desde sua abertura de capital, realizada em setembro. O período analisado coincide com uma fase de retração do mercado cripto no fim de 2025, quando o Bitcoin recuou rapidamente após atingir máximas históricas acima de US$ 126 mil. O contexto adverso torna o crescimento da receita ainda mais relevante.
Ainda assim, a empresa vem adotando medidas duras para ajustar sua operação. Em fevereiro, a GEMINI anunciou a saída de mercados como Reino Unido, União Europeia e Austrália, citando condições desafiadoras. A retração geográfica revela uma estratégia de foco e redução de custos. Além disso, a empresa iniciou um plano de demissão que afetou cerca de 25% dos funcionários.
Segundo os fundadores, a força de trabalho já foi reduzida em aproximadamente 30% desde o início de 2026, com a inteligência artificial desempenhando papel central nesse processo.
“Hoje, a IA é utilizada em mais de 40% das alterações de código em produção, e esperamos que esse número se aproxime de 100% em breve.”
Eles reforçaram a importância da tecnologia no futuro da empresa.
“Não usar IA na Gemini em breve será como ir trabalhar com uma máquina de escrever em vez de um laptop.”
A estratégia para 2026 também inclui uma concentração maior no mercado norte-americano. Os executivos afirmaram que pretendem “dobrar a aposta” nos Estados Unidos, citando um ambiente regulatório mais favorável às criptomoedas. A regulação passa a ser vista como oportunidade, não obstáculo.
Entre os novos produtos, destaca-se o lançamento do Gemini Predictions, um mercado interno de previsões disponível em todos os 50 estados dos EUA após aprovação da Commodity Futures Trading Commission. A empresa busca diversificar receitas além do trading tradicional. A expectativa é expandir essa vertical e, futuramente, utilizá-la como base para contratos futuros perpétuos, caso sejam autorizados.
No pano de fundo, a GEMINI sinaliza uma transformação estratégica mais ampla.
“Vamos nos tornar uma empresa focada em mercados com o Gemini Predictions.”
A movimentação sugere uma tentativa de reposicionar o negócio diante de um setor cada vez mais competitivo e pressionado por margens. O desafio agora é equilibrar crescimento, inovação e controle de custos em um mercado ainda volátil.
