O mercado de criptomoedas pode estar prestes a entrar em uma nova fase de adoção corporativa. Para Brad Garlinghouse, CEO da RIPPLE, as stablecoins têm potencial para representar um divisor de águas semelhante ao impacto do ChatGPT na inteligência artificial. As stablecoins podem ser a porta de entrada definitiva das empresas para a blockchain. A declaração foi feita em entrevista à FOX Business, em um momento em que grandes companhias começam a discutir o tema com mais intensidade em seus conselhos administrativos.
Segundo Garlinghouse, executivos de grandes empresas já estão pressionando suas áreas financeiras para entender como incorporar stablecoins em suas operações. A discussão envolve desde eficiência em pagamentos até redução de custos e maior agilidade em transações internacionais. A demanda não vem da tecnologia, mas da necessidade de eficiência. Esse movimento reflete uma mudança de mentalidade no setor corporativo, que começa a enxergar ativos digitais não apenas como investimento, mas como infraestrutura financeira.
“Conselhos de administração e CEOs estão perguntando aos seus tesoureiros e CFOs: o que estamos fazendo com stablecoins?”
O principal atrativo está na possibilidade de realizar transferências quase instantâneas, com menor custo e maior previsibilidade em relação a sistemas tradicionais. Diferentemente de outras criptomoedas, stablecoins mantêm paridade com moedas fiduciárias, como o dólar, o que reduz a volatilidade. Elas combinam a estabilidade do dinheiro tradicional com a eficiência da blockchain. Segundo o BIS (Bank for International Settlements), pagamentos internacionais ainda podem levar dias e envolver múltiplos intermediários, o que abre espaço para soluções digitais mais rápidas.
Projeções reforçam o otimismo do setor. A BLOOMBERG Intelligence estima que o volume de transações com stablecoins pode crescer a uma taxa anual composta de 80% até 2030, alcançando US$ 56,6 trilhões. O crescimento projetado coloca as stablecoins no centro das finanças globais. Esse avanço seria impulsionado principalmente pela adoção institucional e pelo uso em pagamentos corporativos, além de aplicações em comércio internacional.
Atualmente, o mercado ainda é concentrado. Mais de 90% do volume negociado envolve duas stablecoins: USDT, da TETHER, e USDC, da CIRCLE. A liderança ainda está nas mãos de poucos players. No entanto, novas iniciativas vêm tentando ganhar espaço, como a RLUSD, lançada pela RIPPLE em 2024, que já figura entre as maiores do setor, com cerca de US$ 1,4 bilhão em valor de mercado, segundo dados da CoinGecko.
A estratégia da RIPPLE também inclui expansão de infraestrutura. A empresa realizou aquisições relevantes recentemente, como a corretora institucional Hidden Road, por US$ 1,25 bilhão, e a plataforma de tesouraria corporativa GTreasury, por US$ 1 bilhão. A empresa aposta em integrar serviços financeiros tradicionais com tecnologia blockchain. Esse movimento sinaliza uma tentativa de oferecer soluções completas para clientes institucionais.
O avanço das stablecoins, no entanto, depende de um fator decisivo: regulação. Garlinghouse destacou a importância de clareza jurídica nos Estados Unidos, especialmente com a possível aprovação do chamado CLARITY Act. Sem regras claras, a adoção pode travar. O tema tem sido central no debate político, principalmente após críticas à abordagem regulatória anterior liderada pela SEC.
“A atenção do mercado está voltada para como será a regulação nos EUA e se ela será concluída.”
Organizações como o FMI já alertaram para a necessidade de supervisão adequada das stablecoins, destacando riscos relacionados à estabilidade financeira e à proteção do consumidor. Ao mesmo tempo, reconhecem o potencial dessas moedas para modernizar sistemas de pagamento. O desafio é equilibrar inovação e segurança.
Enquanto isso, empresas seguem testando o terreno. A combinação de eficiência operacional, redução de custos e integração com sistemas digitais torna as stablecoins uma alternativa cada vez mais atraente. O próximo salto da blockchain pode vir do mundo corporativo, não do varejo.
