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Investigação sobre Libra renova questionamentos sobre o envolvimento de Milei

Investigação sobre Libra renova questionamentos sobre o envolvimento de Milei

Novas evidências reacenderam a investigação sobre o envolvimento do presidente argentino Javier Milei com o colapso do token Libra. Registros telefônicos obtidos por promotores indicam que Milei teria conversado diversas vezes com um dos empresários ligados ao projeto na noite em que promoveu a criptomoeda. As suspeitas voltam ao centro do debate político.

De acordo com informações reveladas pelo THE NEW YORK TIMES, houve sete ligações entre Milei e o empreendedor antes e depois da publicação no X que impulsionou o token. O conteúdo dessas conversas ainda não foi divulgado. O contexto das ligações permanece um ponto-chave da investigação.

O caso ganhou proporções significativas após o colapso abrupto do Libra. Promovido como uma iniciativa para estimular a economia argentina e apoiar pequenas empresas, o token disparou rapidamente antes de perder mais de 96% de seu valor. O prejuízo estimado ultrapassa US$ 250 milhões. Investidores foram diretamente impactados pela queda.

A repercussão levou advogados argentinos a apresentarem acusações de fraude contra Milei, além de pedidos de impeachment. No país, crimes desse tipo podem resultar em penas que variam de um mês a seis anos de prisão. A crise deixou de ser financeira e se tornou institucional.

Milei nega qualquer irregularidade. Segundo ele, a publicação foi apenas um apoio a um projeto privado, sem envolvimento direto. O presidente afirma não ter ligação com o empreendimento.

“Eu não tinha conhecimento dos detalhes do projeto e, ao tomar conhecimento, decidi não continuar promovendo.”

Após a polêmica, o presidente apagou a publicação, o que intensificou as suspeitas de um possível esquema conhecido como rug pull, quando um ativo é inflado artificialmente antes de ser abandonado. A retirada do apoio levantou mais dúvidas do que esclarecimentos.

A investigação ganhou novos contornos com a descoberta de um documento preliminar no celular do lobista Mauricio Novelli. O material sugere um possível acordo de US$ 5 milhões relacionado à promoção do token, elaborado poucos dias antes da postagem de Milei. O caso pode envolver interesses financeiros ocultos. No entanto, o documento não especifica destinatários dos valores.

Apesar das novas evidências, o presidente já havia sido previamente absolvido pela Oficina Anticorrupção da Argentina, que considerou a publicação como um ato pessoal, e não institucional. A interpretação jurídica ainda é controversa.

O caso segue em investigação na esfera judicial, mantendo Milei como figura de interesse. A situação evidencia os riscos da interseção entre política e criptomoedas, especialmente em mercados ainda pouco regulados. A ausência de regras claras amplia a exposição a conflitos.

Além do impacto político, o episódio levanta questões mais amplas sobre responsabilidade de figuras públicas na promoção de ativos digitais. Com o crescimento do mercado cripto, declarações de autoridades podem influenciar diretamente preços e decisões de investimento. A influência política pode mover mercados inteiros.

Casos semelhantes já ocorreram em outros países, reforçando a necessidade de diretrizes mais claras para evitar manipulação ou conflitos de interesse. Relatórios da ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD) apontam que a falta de regulação consistente aumenta o risco de fraudes e perdas para investidores.

No fim, o episódio do Libra expõe uma fragilidade estrutural: a velocidade com que ativos digitais podem ganhar e perder valor quando impulsionados por figuras de grande alcance. No mercado cripto, reputação pode valer mais que fundamentos.


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