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Guerra no Irã: Bitcoin pode superar o ouro?

Guerra no Irã Bitcoin pode superar o ouro

O Bitcoin pode estar entrando em uma nova fase de percepção global. Tradicionalmente comparado ao ouro como reserva de valor, o ativo começa a ganhar uma dimensão adicional: a de instrumento monetário em cenários geopolíticos extremos. O Bitcoin pode deixar de ser apenas “ouro digital” para virar infraestrutura financeira global.

Essa leitura ganhou força após declarações de Matt Hougan, diretor de investimentos da BITWISE, que afirmou que o mercado potencial do Bitcoin pode ultrapassar o valor total do ouro, estimado em mais de US$ 33 trilhões. A mudança de visão está ligada ao uso crescente do ativo não apenas como proteção de valor, mas também como meio de transação internacional.

“Em um mundo onde países transformaram seus sistemas financeiros em armas, o Bitcoin surge como uma alternativa apolítica.”

O gatilho recente dessa discussão foi o conflito envolvendo o Irã. O país sinalizou a possibilidade de cobrar pedágios em criptomoedas para navios que atravessam o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do petróleo global. Pela primeira vez, um Estado considera o uso direto de cripto em uma rota crítica do comércio mundial.

Esse tipo de movimento reforça a ideia de que o Bitcoin pode funcionar fora do sistema financeiro tradicional, especialmente em contextos de sanções econômicas ou tensões internacionais. Países que enfrentam restrições ao uso do dólar passam a buscar alternativas que não possam ser bloqueadas ou controladas por outras nações. O ativo ganha relevância justamente onde o sistema tradicional falha.

Historicamente, o argumento central a favor do Bitcoin era sua escassez e semelhança com o ouro. Agora, a narrativa evolui. Se o ativo também for adotado como meio de pagamento internacional, seu mercado potencial deixa de se limitar ao papel de reserva de valor. O tamanho do mercado pode ser muito maior do que se imaginava.

“Se o Bitcoin assumir um papel duplo, como reserva de valor e moeda, os preços projetados podem precisar ser revisados para cima.”

Essa hipótese tem implicações diretas no valuation. Hougan já havia estimado que, se o Bitcoin capturasse cerca de 17% do mercado global de reserva de valor, poderia atingir US$ 1 milhão por unidade. Com a possibilidade de uso como moeda, esse teto teórico se amplia significativamente. A tese de valorização deixa de ser apenas financeira e passa a ser estrutural.

Hoje, o contraste ainda é grande. O Bitcoin possui valor de mercado próximo de US$ 1,4 trilhão, enquanto o ouro ultrapassa US$ 33 trilhões. O espaço para crescimento ainda é enorme.

Apesar disso, sinais de adoção já são visíveis. Em economias com inflação elevada, como Argentina, Turquia e Venezuela, o Bitcoin vem sendo utilizado como proteção contra a desvalorização monetária. A utilidade prática já existe fora dos grandes centros financeiros.

Pesquisas reforçam esse comportamento. Um levantamento da COINBASE indicou que 87% dos argentinos veem as criptomoedas como ferramenta para aumentar sua independência financeira. A adoção começa pela necessidade, não pela especulação.

No campo institucional, o movimento também avança. Empresas públicas e privadas já acumulam mais de 1,5 milhão de bitcoins em caixa, avaliados em mais de US$ 116 bilhões. O ativo começa a fazer parte das estratégias corporativas.

Além disso, o uso como meio de pagamento, embora ainda limitado, cresce gradualmente. Estima-se que cerca de 11 mil estabelecimentos no mundo já aceitem Bitcoin como forma de pagamento. A função de moeda ainda é pequena, mas já é real.

Ainda assim, há incertezas importantes. O uso estatal de criptomoedas pode ser pontual e motivado por circunstâncias específicas, como sanções. Além disso, questões de volatilidade e escalabilidade continuam sendo desafios para uma adoção mais ampla como moeda global. Nem toda adoção pontual se transforma em tendência estrutural.

No fim, o conflito no Oriente Médio trouxe um novo elemento para o debate sobre o futuro do Bitcoin. Mais do que competir com o ouro, o ativo começa a disputar espaço com o próprio sistema financeiro internacional. Se essa transição se confirmar, o tamanho do mercado do Bitcoin pode ser muito maior do que qualquer comparação tradicional sugere.


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