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Mercado de criptomoedas vê aumento de 33,3% em violência física

Mercado de criptomoedas vê aumento de 33,3% em violência física

A segurança física no mercado de ativos digitais tornou-se uma vulnerabilidade urgente para executivos e investidores no mundo inteiro. Um estudo detalhado e recente divulgado pela CERTIK revelou um aumento de 33,3% nas ocorrências de violência física direcionadas a detentores de criptomoedas ao longo dos últimos meses. A migração das abordagens do ambiente estritamente cibernético para investidas presenciais expõe a crescente ousadia de grupos criminosos, que buscam coagir as vítimas a realizar transferências irreversíveis diretamente na rede.

A exposição financeira associada aos casos sofreu uma escalada dramática durante o período analisado pelo levantamento. O montante total envolvido nas abordagens saltou de US$ 10,5 milhões para US$ 124,2 milhões, registrando uma elevação surpreendente superior a 1.000%. Esse salto nos valores negociados demonstra uma clara mudança de patamar do crime organizado, que passou a selecionar alvos com patrimônios expressivos, incluindo fundadores de protocolos, operadores de fundos e altos executivos de grandes plataformas.

A alteração média por ocorrência acompanhou esse movimento de expansão e subiu consideravelmente de cerca de US$ 270 mil para US$ 2,39 milhões. É preciso ressaltar que os valores consolidados no relatório não representam apenas recursos efetivamente roubados, já que os analistas também contabilizaram exigências de resgate não atendidas, pagamentos parciais e fundos que acabaram congelados ou recuperados após as abordagens. A concentração principal dessa alta ocorreu logo nos primeiros meses do período analisado, estabilizando-se em momentos posteriores.

Entre as táticas operacionais utilizadas pelas quadrilhas, as invasões domiciliares registraram a mudança estatística mais drástica identificada nas investigações. Esse método de abordagem passou a responder por cerca de 41% de todos os crimes, saltando de apenas um registro anterior para duas dezenas de episódios confirmados. O avanço das invasões superou o histórico tradicional de sequestros e extorsões em vias públicas, mostrando que a residência das vítimas virou o principal ponto de vulnerabilidade.

A invasão direta ao ambiente doméstico permite que os criminosos contornem com facilidade mecanismos avançados de proteção digital. Sob forte intimidação física, travas de última geração como dispositivos desconectados da internet e autenticações por biometria tornam-se ineficazes, pois a própria vítima é forçada a desbloquear as carteiras e autorizar transações válidas. O relatório também documentou episódios graves envolvendo tortura e até homicídio, reforçando a extrema periculosidade dessas abordagens planejadas.

No cenário geográfico global, o continente europeu concentrou três quartos de todas as ocorrências mapeadas pelas autoridades e pela empresa de auditoria. A FRANÇA figurou isolada como o epicentro mundial do problema com 33 casos, impulsionada pela alta densidade de empresas do setor e pela realização constante de eventos internacionais. Em contrapartida, o Brasil apresentou uma retração expressiva nos registros de violência física voltados ao mercado financeiro digital no mesmo período, contabilizando apenas um incidente.

Especialistas apontam que a alta concentração de casos no território francês reúne fatores estruturais complexos. Além de abrigar grandes corretoras e criadores de projetos, o país enfrentou vazamentos massivos de dados pessoais em entidades públicas e privadas. Essas bases de dados expostas na internet permitem que criminosos cruzem nomes, endereços residenciais, telefones e hábitos diários para criar perfis detalhados antes de executarem a abordagem presencial nas residências.

O estudo da CERTIK deixa claro que a investida violenta no mundo real costuma ser apenas a etapa final de uma operação iniciada no ambiente virtual. Grupos especializados combinam informações de redes sociais, registros públicos e movimentações públicas na blockchain para mapear a rotina e o patrimônio exato das pessoas selecionadas. Diante dessa convergência inevitável entre os riscos digitais e físicos, a proteção do setor exige estratégias unificadas de governança de acesso e privacidade.

Para mitigar essas ameaças crescentes, a empresa recomenda o fim da custódia individual centralizada e a adoção obrigatória de arquiteturas de segurança corporativa. O uso de carteiras com múltiplas assinaturas, limites operacionais para transferências e atrasos programados para saques reduzem drasticamente o incentivo para agressões físicas. Quando o controle de chaves administrativas depende da autorização simultânea de múltiplos executivos em locais distintos, a extorsão presencial direta perde a eficácia e preserva a integridade das vítimas.

A compilação dos dados reúne apenas incidentes públicos confirmados por autoridades policiais, documentos judiciais e registros auditáveis na rede. A equipe responsável reconhece que a subnotificação pode esconder uma parcela relevante das agressões, já que muitas vítimas preferem o silêncio por medo de represálias. A consolidação dessas métricas serve como um alerta urgente para que o ecossistema trate a proteção de dados pessoais e a segurança patrimonial como pilares inseparáveis na gestão de ativos virtuais.


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