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Ativos digitais deixaram de ser opção e viraram ‘obrigação’?

Ativos digitais deixaram de ser opção e viraram 'obrigação'

A transformação digital do sistema financeiro ganhou um novo sinal de maturidade. Para a maioria das instituições, ativos digitais já não são mais uma aposta — são uma exigência competitiva. Um levantamento global conduzido pela RIPPLE com mais de 1.000 líderes financeiros mostra que 72% acreditam que empresas precisam oferecer soluções em ativos digitais para se manter relevantes no mercado.

A pesquisa revela uma mudança clara de mentalidade. Em vez de discutir se devem ou não entrar nesse universo, as instituições agora focam em como fazer isso. A pauta deixou de ser “se” e passou a ser “como”. Bancos, gestoras, fintechs e grandes empresas estão avaliando estratégias para desenvolver internamente, adquirir ou firmar parcerias para construir a infraestrutura necessária.

Entre as aplicações, as stablecoins se destacam como principal vetor de adoção. Cerca de 74% dos entrevistados afirmaram que esses ativos podem melhorar o fluxo de caixa e liberar capital antes imobilizado. O interesse vai além de pagamentos e alcança a gestão financeira das empresas. Segundo a RIPPLE, há uma percepção crescente de que as stablecoins podem ser usadas como ferramentas de tesouraria, ampliando eficiência e liquidez.

“Essa unanimidade deixa claro que líderes financeiros estão vendo as stablecoins como mais do que uma nova forma de pagamento.”

O avanço desse movimento está ligado a fatores estruturais. A evolução regulatória, o interesse crescente de grandes bancos, a expansão das fintechs e o fortalecimento das stablecoins criaram um ambiente mais favorável. A combinação desses elementos está acelerando a institucionalização do setor. Países como Estados Unidos, Reino Unido e membros da União Europeia vêm discutindo marcos regulatórios mais claros, o que reduz incertezas para investidores institucionais.

A pesquisa também evidencia diferenças relevantes entre perfis de empresas. Fintechs lideram o movimento de construção interna, com 47% planejando desenvolver suas próprias soluções de ativos digitais. Já empresas tradicionais preferem terceirizar a inovação. Entre as corporações, 74% afirmaram que pretendem trabalhar com parceiros externos para acessar esse mercado.

Outro eixo importante é a tokenização de ativos. Bancos e gestores estão cada vez mais interessados em transformar ativos tradicionais em versões digitais negociáveis. A infraestrutura de custódia surge como prioridade absoluta. Cerca de 89% dos entrevistados apontaram o armazenamento seguro como principal preocupação ao avaliar parceiros nesse segmento, seguido pela gestão do ciclo de vida dos ativos (82%) e distribuição inicial (80%).

Entre instituições financeiras mais tradicionais, a demanda por suporte estratégico também cresce.

“Isso indica que muitas instituições buscam parceiros experientes para orientar a implementação junto à adoção tecnológica.”

Dados mostram que 85% dos bancos consideram essencial o apoio na estruturação antes da emissão de ativos digitais, número superior ao observado entre gestoras de recursos. A complexidade do tema exige não apenas tecnologia, mas também conhecimento especializado.

Na escolha de parceiros de infraestrutura, a segurança aparece como fator decisivo. Cerca de 97% dos entrevistados destacaram a importância de certificações como ISO e SOC 2. A confiança continua sendo o principal ativo em um mercado em transformação. Esse dado reforça que, apesar do avanço tecnológico, critérios tradicionais de governança seguem fundamentais.

No fim, o levantamento aponta para uma mudança irreversível.

“A maioria dos líderes financeiros não está mais debatendo ativos digitais. Eles estão descobrindo como construir com eles e com quem construir.”

A conclusão é direta: os ativos digitais deixaram de ser uma inovação opcional e passaram a integrar a base estratégica do sistema financeiro global. O desafio agora não é aderir, mas executar com eficiência em um ambiente cada vez mais competitivo.


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