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Baleias do Bitcoin movimentam milhões em meio a crise no mercado

Baleias do Bitcoin movimentam milhões em meio a crise no mercado

Grandes detentores de Bitcoin voltaram a movimentar quantias expressivas para exchanges em um momento de instabilidade global. A combinação entre conflito no Oriente Médio e disparada do petróleo reacendeu a aversão ao risco nos mercados. Dados on-chain indicam que carteiras antigas, conhecidas como “baleias”, transferiram mais de US$ 100 milhões em BTC enquanto o preço da criptomoeda recuava.

Uma dessas movimentações chamou atenção. A carteira identificada como “bc1ql” enviou 1.000 BTC, avaliados em cerca de US$ 71 milhões, para a BINANCE, segundo a plataforma ARKHAM. O histórico dessa carteira reforça o peso da movimentação. O investidor adquiriu 5.000 BTC há cerca de 13 anos e ainda mantém aproximadamente 1.500 unidades, hoje avaliadas em mais de US$ 100 milhões, conforme dados da ONCHAIN LENS.

No mesmo dia, outro nome relevante do início do ecossistema cripto também entrou em ação. Owen Gunden transferiu 650 BTC, cerca de US$ 46 milhões, para a exchange KRAKEN. Foi o primeiro movimento significativo dele em cinco meses. Segundo a LOOKONCHAIN, o investidor já havia realizado uma venda muito maior anteriormente, liquidando cerca de 11.000 BTC, equivalente a mais de US$ 1 bilhão.

Essas transferências reforçam um padrão comum em momentos de incerteza: realização de lucros por investidores de longo prazo. O comportamento das baleias costuma antecipar mudanças de tendência. Traders passaram a reagir a um movimento global de “risk-off”, no qual investidores reduzem exposição a ativos considerados mais voláteis.

O gatilho para esse cenário veio da escalada de tensões no Oriente Médio. Relatos indicam que ISRAEL realizou ataques contra o campo de gás South Pars, uma das maiores reservas do mundo, operada por IRÃ e CATAR. O impacto geopolítico rapidamente se refletiu nos mercados de energia. O episódio também incluiu a morte de autoridades iranianas de alto escalão, aumentando o risco de uma escalada ainda maior no conflito.

Como consequência, os preços do petróleo dispararam. O Brent chegou a ultrapassar US$ 119 por barril antes de recuar, enquanto o WTI tocou a marca de US$ 100. A volatilidade energética pressionou todos os mercados globais. Segundo dados da Trading Economics, mesmo após a correção, os preços permaneceram em níveis elevados, refletindo incertezas persistentes.

(Carteira antiga de baleia “bc1ql”, histórico de saldo de tokens, gráfico de todos os tempos.)

O efeito dominó também atingiu o mercado de gás natural. Após ataques iranianos ao complexo de Ras Laffan, no CATAR, os preços no atacado na Europa e no Reino Unido subiram significativamente, conforme reportado pela BLOOMBERG. A crise energética ampliou o clima de cautela entre investidores globais.

No mercado cripto, a reação foi imediata. Segundo Aurelie Barthere, analista da NANSEN, o Bitcoin começou a cair logo após os ataques à infraestrutura energética.

“O BTC começou a cair ontem por volta do meio-dia (CET), após a escalada da guerra entre Irã e Israel e o ataque à infraestrutura de gás no Catar.”

Ela também alertou para níveis técnicos importantes.

“Se não conseguirmos sustentar a faixa de US$ 70 mil a US$ 71 mil, podemos retornar ao intervalo anterior de aproximadamente US$ 60 mil a US$ 71 mil.”

(BTC/USD, gráfico de 1 semana.)

Nas últimas 24 horas, o Bitcoin recuou cerca de 5%, sendo negociado próximo de US$ 70.400, de acordo com dados do COINMARKETCAP. A queda acompanhou um movimento mais amplo de saída de risco. O ouro, tradicionalmente visto como ativo de proteção, também caiu cerca de 4,2% no mesmo período, segundo dados do Gold Price.

A queda simultânea de ativos considerados alternativos e de proteção reforça a leitura de um movimento generalizado de liquidez.

“Isso indica um movimento mais amplo de aversão ao risco, e não uma migração para ativos seguros.”

Segundo Alvin Kan, da BITGET WALLET, esse comportamento mostra que investidores estão priorizando liquidez imediata diante de incertezas macroeconômicas e geopolíticas.

No pano de fundo, o episódio evidencia como o mercado cripto está cada vez mais conectado aos eventos globais. Bitcoin já não reage apenas a fatores internos do setor, mas ao cenário macro como um todo. Em momentos de crise, até ativos descentralizados passam a seguir o humor dos mercados tradicionais.


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