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Bitcoin e dólar formam aliança silenciosa

Bitcoin e dólar formam aliança silenciosa

A relação entre Bitcoin e o dólar americano pode ser menos competitiva do que muitos imaginam. Para Sam Lyman, diretor de pesquisa do BITCOIN POLICY INSTITUTE, os dois sistemas operam de forma complementar, criando um ciclo de reforço mútuo no mercado global. O Bitcoin não enfraquece o dólar, ele pode fortalecê-lo.

Segundo Lyman, a maior parte das negociações de Bitcoin ocorre em pares atrelados ao dólar, especialmente por meio de stablecoins como o USDT. Isso faz com que a expansão do mercado cripto aumente, indiretamente, a demanda pela moeda americana. O dólar continua no centro do ecossistema digital.

“Existe uma relação simbiótica entre o Bitcoin e o sistema do dólar.”

(Pares de negociação baseados no dólar americano dominam o mercado de BTC.)

Essa dinâmica lembra o funcionamento do chamado sistema do petrodólar, estabelecido na década de 1970, quando o comércio global de petróleo passou a ser precificado em dólares. A moeda americana se fortalece ao ser padrão global de liquidação. No caso das criptomoedas, o papel do petróleo é substituído pelos ativos digitais.

As stablecoins desempenham papel central nesse processo. Lastreadas em dólares ou em títulos do governo dos Estados Unidos, elas funcionam como ponte entre o sistema financeiro tradicional e o universo cripto. As stablecoins são a extensão digital do dólar. Segundo dados da CHAINALYSIS, grande parte das transações globais com criptomoedas passa por stablecoins atreladas à moeda americana.

(Os dados de 2024 também refletem o domínio do dólar nos mercados de BTC.)

Diante disso, Lyman defende que os Estados Unidos avancem na regulamentação desse setor. Ele cita o arcabouço regulatório GENIUS como uma oportunidade para consolidar a liderança do país no sistema financeiro digital. Regulação pode ser ferramenta de poder geopolítico. A ideia é garantir que o dólar continue dominante mesmo em um ambiente descentralizado.

O cenário internacional reforça essa disputa. A China, por exemplo, adotou uma abordagem oposta, restringindo o uso de criptomoedas e stablecoins. O país vê esses ativos como ameaça ao controle de capital, elemento central de sua política econômica. Controle financeiro continua sendo prioridade estratégica.

Em resposta, o governo chinês tem investido no desenvolvimento do yuan digital, uma moeda digital de banco central totalmente controlada pelo Estado. Diferente das criptomoedas, essas moedas são programáveis e permitem monitoramento total das transações. O modelo chinês prioriza controle, não descentralização.

Apesar das restrições, a atividade cripto no país não desapareceu. Lyman destaca que mineração de Bitcoin e fluxos de stablecoins continuam ocorrendo, muitas vezes fora do radar oficial. A tecnologia resiste mesmo sob proibição. Dados do HASHRATE INDEX indicam que pools chineses ainda representam mais de 36% do poder computacional global da rede Bitcoin.

Essa persistência evidencia uma característica central do Bitcoin: sua natureza descentralizada dificulta o controle total por parte de governos. A infraestrutura do Bitcoin é resiliente por design. Mesmo em ambientes restritivos, a rede continua operando.

Ao mesmo tempo, o crescimento do mercado cripto pode acabar beneficiando o próprio sistema financeiro tradicional, especialmente o dólar. À medida que mais usuários entram no ecossistema via stablecoins, a dependência da moeda americana se mantém ou até se amplia. O digital não substitui o dólar, o redistribui.

Esse fenômeno desafia uma das narrativas mais difundidas sobre o Bitcoin, a de que ele seria uma alternativa direta ao sistema monetário atual. Na prática, os dois sistemas parecem coexistir e se fortalecer mutuamente. A rivalidade dá lugar à interdependência.

No fim, a relação entre Bitcoin e dólar revela uma transformação mais complexa do que uma simples substituição. O sistema financeiro global está se adaptando, incorporando novas tecnologias sem abandonar estruturas existentes. O futuro das finanças pode ser híbrido, não disruptivo.


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