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Blockchain para modernizar pagamentos e depósitos

O banco britânico Barclays está avaliando o uso de tecnologia blockchain para funções centrais de sua operação, incluindo pagamentos e depósitos. A iniciativa sinaliza que grandes instituições financeiras já não discutem mais “se”, mas “como” integrar infraestrutura baseada em registros distribuídos. O sistema bancário tradicional começa a revisar seu próprio alicerce.

Segundo reportagem da Bloomberg, citando fontes próximas ao assunto, o Barclays iniciou consultas com fornecedores de tecnologia para desenvolver uma plataforma capaz de processar pagamentos, gerenciar depósitos e suportar aplicações relacionadas a criptoativos, como stablecoins e depósitos tokenizados.

O banco teria enviado solicitações formais de informação a diferentes empresas do setor, com possibilidade de selecionar um parceiro já em abril. Os nomes das fornecedoras não foram divulgados. A decisão pode sair em poucas semanas.

O movimento se alinha com passos recentes da instituição no universo de ativos digitais. No mês passado, o Barclays realizou seu primeiro investimento ligado a stablecoins ao aportar recursos na Ubyx, plataforma americana de compensação de stablecoins. A operação indicou interesse crescente em infraestrutura de liquidação tokenizada.

Há também especulações sobre eventual participação do banco em uma possível oferta pública inicial da Ledger, empresa especializada em dispositivos de custódia de criptomoedas. Embora não confirmada oficialmente, a informação reforça a aproximação estratégica com o setor.

A Bloomberg contextualiza a movimentação dentro de uma tendência mais ampla: bancos e empresas de tecnologia vêm avaliando stablecoins como alternativa às redes tradicionais de pagamento. Diferentemente de sistemas bancários convencionais, que operam com horários limitados e múltiplos intermediários, stablecoins permitem liquidação quase instantânea e funcionamento ininterrupto.

O interesse institucional acompanha o crescimento do mercado. Dados da DeFiLlama mostram que a capitalização combinada das stablecoins se aproxima de US$ 310 bilhões.

(A capitalização de mercado combinada das stablecoins está se aproximando de US$ 310 bilhões.)

O volume já não é marginal. Além da eficiência operacional, depósitos tokenizados e sistemas de pagamento on-chain prometem simplificar transferências internacionais e reduzir custos de compensação. Relatórios do Bank for International Settlements indicam que pagamentos transfronteiriços tradicionais ainda podem levar dias para liquidação completa, com múltiplas taxas embutidas.

O movimento não se restringe ao setor bancário. A Meta Platforms estaria reavaliando iniciativas envolvendo stablecoins anos após encerrar o projeto Diem, evidenciando renovado interesse das Big Tech por pagamentos baseados em blockchain.

Para bancos tradicionais, contudo, stablecoins representam uma equação delicada. Por um lado, oferecem oportunidade de modernização e eficiência. Por outro, criam risco competitivo. Caso moedas digitais privadas lastreadas em dólar ganhem adoção massiva, parte dos depósitos — base do modelo bancário — pode migrar para versões tokenizadas fora do sistema convencional. Depósitos são o coração do negócio bancário.

O debate é especialmente intenso nos Estados Unidos, onde legisladores discutem projetos de lei sobre estrutura de mercado e regulamentação de stablecoins. Um dos pontos centrais envolve a possibilidade de emissores oferecerem remuneração aos detentores, o que poderia torná-las ainda mais atrativas frente a contas bancárias tradicionais.

Mesmo sem mecanismos de rendimento, a simples facilidade de transferência e liquidação pode deslocar liquidez. Analistas apontam que, em cenários de adoção ampla, stablecoins poderiam reduzir a dependência de intermediários e pressionar margens bancárias.

Ao explorar blockchain para funções básicas como pagamentos e depósitos, o Barclays sinaliza que prefere participar da transformação a correr o risco de ser impactado por ela. A modernização deixou de ser opcional.

Se o projeto avançar, poderá marcar mais um passo na integração entre finanças tradicionais e infraestrutura digital — não como experimento isolado, mas como componente estrutural do sistema bancário do futuro.


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