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FMI alerta para riscos monetários e corridas cambiais

FMI alerta para riscos monetários e corridas cambiais

O avanço global das moedas digitais pareadas no dólar norte-americano passou a ser analisado sob a perspectiva da estabilidade macroeconômica e da soberania monetária em economias emergentes. Um novo estudo publicado pelo FMI revela que a facilidade de acesso a ativos atrelados a divisas estrangeiras melhora a inclusão financeira, mas carrega o potencial de acelerar fugas de capital em momentos de estresse econômico. A circulação de ativos digitais estáveis em países com regimes de câmbio controlado cria um mercado paralelo de alta visibilidade, capaz de amplificar o pânico bancário e enfraquecer o valor da moeda nacional.

A pesquisa modelou os impactos das moedas virtuais pareadas em cenários nos quais o acesso oficial a moedas fortes é racionado por autoridades bancárias. A presença de cotações em tempo real nessas plataformas atua como um termômetro transparente da escassez de divisas, sinalizando a desvalorização cambial de forma muito mais rápida do que os canais tradicionais de câmbio. Essa visibilidade imediata pode desencadear corridas cambiais simultâneas, levando a população a abandonar massivamente os depósitos em moeda local para migrar para a custódia digital.

“A interrupção e os limites temporários para transações excepcionalmente grandes podem ser necessários para conter momentos de pânico e preservação da liquidez.”

O uso prático de tokens pareados como referência de preço em transações do cotidiano já é uma realidade observada em praças comerciais e mercados informais na América Latina. Em economias com forte restrição cambial, o uso de ativos como o USDT passou a balizar o comércio varejista e a custódia pessoal de poupadores que buscam proteção contra a inflação galopante. O fenômeno de dolarização digital contorna as barreiras do sistema financeiro tradicional, oferecendo liquidez imediata à margem do controle estatal.

Contudo, órgãos internacionais de supervisão alertam que essa facilidade de acesso impõe desafios severos para a condução da política monetária dos bancos centrais. Alertas emitidos pelo CONSELHO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA apontam que a substituição da moeda nacional por tokens privados reduz a eficácia dos instrumentos de crédito, enfraquece a arrecadação e facilita a burla a mecanismos legítimos de controle de capital. O avanço desordenado desse ecossistema expõe mercados emergentes a choques súbitos de liquidez.

“As stablecoins em dólar tornam direitos semelhantes ao dólar mais fáceis de acessar, ao mesmo tempo que criam um preço visível e de alta frequência para a demanda por dólares.”

Diante desses riscos sistêmicos, formuladores de políticas públicas são encorajados a calibrar suas estruturas regulatórias para monitorar o fluxo de capital nessas plataformas. A imposição de travas de liquidação e limites temporários em momentos de volatilidade extrema surge como proposta técnica para mitigar o contágio sobre o sistema bancário convencional. O desafio do setor público reside em preservar as inovações de eficiência em pagamentos transfronteiriços sem comprometer as ferramentas de defesa e a estabilidade econômica dos países em desenvolvimento.


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