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Institucional mantêm aposta em criptomoedas mesmo após queda

Institucional mantêm aposta em criptomoedas mesmo após queda

A recente correção no mercado de criptomoedas não afastou os grandes investidores. Pelo contrário. A maioria das instituições segue confiante e pretende ampliar sua exposição ao setor nos próximos meses. Um levantamento conduzido pela COINBASE em parceria com a EY-PARTHENON, com 351 investidores institucionais, mostra que 73% planejam aumentar alocações em ativos digitais em 2026, enquanto 74% acreditam que os preços subirão nos próximos 12 meses.

Esse movimento ocorre mesmo após um período de volatilidade iniciado em outubro, reforçando uma mudança estrutural no perfil do investidor institucional. O interesse deixou de ser oportunista e passou a ser estratégico. Segundo o relatório, fundos, gestoras e instituições financeiras estão cada vez mais integrando criptoativos em portfólios de longo prazo, em vez de tratá-los apenas como ativos especulativos.

Um dos sinais mais claros dessa maturidade é a preferência crescente por instrumentos regulados. Cerca de dois terços dos entrevistados afirmaram que produtos negociados em bolsa, como os exchange-traded products (ETPs), se tornaram o principal meio de exposição ao mercado. A busca por segurança jurídica virou prioridade. Esse comportamento acompanha tendências globais, como a aprovação de ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos em 2024, que ampliaram significativamente o acesso institucional ao setor.

No campo regulatório, a pesquisa aponta um consenso: ainda há lacunas importantes. Mais de três quartos dos participantes indicaram que a estrutura de mercado é o principal ponto que precisa de maior clareza. A ausência de regras bem definidas ainda é vista como um dos maiores entraves à expansão. Nos Estados Unidos, por exemplo, o debate sobre a classificação de ativos digitais segue em andamento, envolvendo órgãos como SEC e CFTC, o que gera incertezas operacionais para grandes players.

Apesar disso, a volatilidade recente não afastou os investidores — apenas mudou a forma como eles atuam. Quase metade dos entrevistados (49%) afirmou que passou a priorizar gestão de risco, liquidez e dimensionamento de posições. A resposta não foi recuar, mas operar com mais disciplina. Isso indica um amadurecimento do mercado, com estratégias mais sofisticadas e menos dependentes de movimentos especulativos de curto prazo.

(Investimentos em ETPs de criptomoedas e empresas de ativos digitais continuam entre as abordagens mais comuns para exposição institucional.)

Outro destaque do estudo é o avanço do interesse por aplicações mais práticas da tecnologia blockchain. Stablecoins e ativos do mundo real tokenizados, conhecidos como real-world assets (RWAs), aparecem como áreas prioritárias. O foco começa a migrar da especulação para utilidade real. Segundo a pesquisa, 85% dos participantes já utilizam ou pretendem utilizar stablecoins em operações de pagamento e gestão de caixa.

Esse movimento é impulsionado, em parte, por avanços regulatórios nos Estados Unidos. Cerca de 83% dos entrevistados afirmaram que a aprovação do GENIUS Act deve aumentar a disposição das instituições financeiras em trabalhar com stablecoins. Além disso, 69% acreditam que a legislação deve acelerar a adoção de transações baseadas nesses ativos. A regulação, antes vista como obstáculo, passa a ser catalisadora.

(A aprovação da Lei GENIUS é vista como um catalisador para uma adoção mais ampla de stablecoins.)

Ao mesmo tempo, a tokenização de ativos tradicionais segue ganhando espaço. Aproximadamente 63% dos investidores demonstraram interesse em obter exposição a esse segmento, enquanto 61% acreditam que ele terá impacto relevante na estrutura do mercado nos próximos anos. A digitalização de ativos reais pode redefinir o sistema financeiro. Títulos, imóveis e outros instrumentos financeiros começam a ser convertidos em tokens, aumentando eficiência, liquidez e acessibilidade.

No pano de fundo, o que se observa é uma mudança de narrativa. Criptoativos deixam de ser vistos apenas como uma aposta arriscada e passam a integrar discussões mais amplas sobre infraestrutura financeira global. A institucionalização do setor já não é tendência — é um processo em andamento.


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