A convergência entre o setor bancário tradicional e a tecnologia descentralizada ganhou um novo capítulo com a adesão de grandes marcas brasileiras a uma aliança global de liquidação. As instituições financeiras ITAÚ e BRADESCO, ao lado do ecossistema de comércio eletrônico MERCADO LIVRE e da sua vertente de pagamentos MERCADO PAGO, anunciaram integração a um consórcio internacional focado em ativos pareados ao dólar, sinalizando um avanço na infraestrutura de movimentação financeira transfronteiriça.
O projeto reúne mais de uma centena de corporações de grande porte nos setores de tecnologia, pagamentos e criptoativos. A iniciativa conta com a participação de multinacionais como VISA, MASTERCARD, STRIPE, AMERICAN EXPRESS, BLACKROCK, COINBASE, GOOGLE, SHOPIFY, BNY, RIPPLE, SOLANA, METAMASK e FIREBLOCKS. Essa convergência institucional busca criar trilhos de pagamentos abertos e eficientes, capazes de conectar empresas globais em um ecossistema interoperável e de alto desempenho para transferências corporativas.
A arquitetura do projeto foi estruturada pela empresa de infraestrutura OPEN STANDARD, que prevê o lançamento oficial da nova moeda digital nos próximos meses. O ativo manterá paridade estrita de um para um com a divisa norte-americana, com foco em liquidação de pagamentos corporativos e transferências internacionais, oferecendo alternativas de liquidez para operações comerciais globais de alto volume.
“As stablecoins existentes possuem grandes pontos fortes, mas, para utilizá-las em escala, as empresas precisam de algo que seja aberto, de baixo custo, com alta capacidade de processamento, amplamente acessível e alinhado aos seus interesses.”
A avaliação do fundador da OPEN STANDARD, Zach Abrams, reforça o objetivo de diferenciar a nova solução das moedas já estabelecidas. O grande atrativo do modelo econômico proposto reside na distribuição dos rendimentos obtidos a partir das reservas de cobertura, que costumam ficar aplicadas em títulos públicos de dívida de curto prazo emitidos pelo governo dos Estados Unidos.
No formato tradicional do mercado, os juros auferidos por essas aplicações ficam concentrados exclusivamente nos emissores das moedas digitais. A proposta da aliança prevê a partilha desses ganhos com os próprios membros que utilizarem e distribuírem o ativo, descontadas apenas as taxas de administração necessárias para cobrir custos técnicos e exigências operacionais e de conformidade com os reguladores mundiais.
A estrutura de gestão foi desenhada com governança compartilhada e gestão independente, buscando afastar a centralização em uma única corporação. Essa composição participativa visa atrair novos parceiros comerciais interessados em usufruir dos resultados financeiros gerados pelo próprio produto, além de utilizar a plataforma como ferramenta de liquidação no dia a dia.
