O cenário digital no final de 2025 tornou-se um campo minado para a comunicação, com a gigante da infraestrutura de internet CLOUDFLARE revelando que mais de um em cada vinte e-mails enviados globalmente é malicioso. Esse número, que representa 5,6% de todo o tráfego global de e-mails analisado no último ano, destaca uma escalada significativa nas ameaças cibernéticas. O perigo atingiu o ápice em novembro de 2025, quando a frequência de mensagens maliciosas quase dobrou, chegando a quase uma em cada dez. Para investidores em criptomoedas, essas estatísticas são mais do que apenas números; elas representam um esforço sofisticado e crescente para drenar carteiras digitais por meio de engano e exploração técnica.
O relatório de retrospectiva de 2025 da CLOUDFLARE destaca que links enganosos continuam sendo a principal arma escolhida pelos atacantes, aparecendo em 52% de todos os e-mails maliciosos. Esses links geralmente são incorporados em mensagens que criam uma falsa sensação de urgência, como “ação imediata necessária” para uma atualização de segurança ou uma oportunidade de investimento “por tempo limitado”. Assim que um usuário clica nesses links, ele geralmente é direcionado para um site fraudulento projetado para coletar credenciais ou enganá-lo para que aprove uma transação maliciosa na blockchain.

A falsificação de identidade também aumentou, representando agora 38% das ameaças detectadas. Os atacantes foram além de simples erros de digitação, usando técnicas sofisticadas como domínios falsificados ou truques com nomes de exibição para se passar por indivíduos ou marcas confiáveis. Curiosamente, o domínio de nível superior “.christmas” emergiu como a extensão mais abusada este ano, com impressionantes 92,7% dos e-mails originados dele sinalizados como maliciosos. Outras extensões de alto risco incluem “.lol”, “.forum” e “.click”, frequentemente usadas para campanhas de spam de baixo custo e alto volume.
O aumento de e-mails maliciosos é particularmente devastador para a comunidade de criptomoedas devido à natureza imutável das transações na blockchain. Uma vez que os fundos são enviados ou uma chave privada é comprometida, a perda costuma ser irreversível. Ao contrário de uma transferência bancária tradicional, que muitas vezes pode ser contestada, enviar fundos para um golpista ou perder uma chave privada para um “dreno de carteira” geralmente é definitivo. Somente em 2025, crimes relacionados a criptomoedas resultaram no roubo de quase US$ 1,93 bilhão, colocando o ano entre os piores já registrados em termos de segurança de ativos digitais.
Pesquisadores de segurança cibernética observaram que 12% dos anexos PDF maliciosos analisados em 2025 estavam diretamente ligados a golpes com Bitcoin. Esses golpes costumam se apresentar como relatórios de investimento falsos ou serviços de recuperação que prometem ajudar vítimas de ataques anteriores. Além disso, o avanço da IA generativa permitiu a criação de e-mails de phishing hiperpersonalizados, quase indistinguíveis de comunicações corporativas legítimas, burlando filtros de spam tradicionais e até a percepção humana.
Ao olharmos para 2026, a complexidade desses ataques exige uma estratégia de defesa proativa e multicamadas. Especialistas apontam que a principal barreira contra golpes ainda é o comportamento do próprio usuário. A primeira linha de defesa é o ceticismo radical em relação a qualquer comunicação digital não solicitada.
- Verifique, não clique: Nunca use links enviados por e-mail para acessar corretoras ou carteiras de criptomoedas. Digite manualmente o endereço oficial no navegador ou utilize favoritos confiáveis previamente salvos.
- Hardware em vez de software: Carteiras de hardware continuam sendo o padrão ouro para armazenamento de longo prazo. Ao manter as chaves privadas offline, o investidor reduz drasticamente o risco, mesmo que caia em um golpe de phishing.
- Revogar permissões: Muitos golpes modernos envolvem “aprovações de tokens”, em que o usuário concede acesso a aplicativos maliciosos para gastar seus ativos. Verificar e revogar permissões regularmente é uma prática essencial para qualquer usuário ativo de DeFi.
- Conhecimento de domínio: Desconfie de mensagens vindas de TLDs incomuns. Embora “.com” e “.org” não sejam automaticamente seguros, um aumento repentino de e-mails provenientes de domínios como “.christmas” ou “.help” deve ser tratado como um forte sinal de alerta.

As descobertas da gigante da internet indicam que estamos entrando em uma era de confiança digital frágil. Para quem investe em criptomoedas, vigilância constante deixou de ser opcional e passou a ser um requisito básico. À medida que a infraestrutura das finanças on-chain se expande, o compromisso individual com segurança digital e boas práticas precisa crescer na mesma proporção.

