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Mudança ‘estrutural’ e um ‘superciclo’ do Bitcoin

Mudança 'estrutural' e um 'superciclo' do Bitcoin

A escalada global nos rendimentos dos títulos públicos acendeu o sinal de alerta máximo entre os estrategistas macroeconômicos de Wall Street. Shang Wu, analista sênior de pesquisa da plataforma BITMEX, apontou que o avanço agressivo nas taxas de juros das dívidas soberanas sinaliza uma transição estrutural inevitável para o sistema financeiro mundial, inclusive para o Bitcoin.

O movimento indica uma ruptura profunda nos modelos de financiamento dos Estados. A perda de controle fiscal por parte das grandes potências atuará como o vento de popa definitivo para deflagrar um superciclo de valorização no mercado de ativos escassos. Diante do avanço da inflação, investidores institucionais ensaiam uma fuga em massa de moedas fiduciárias em direção a salvaguardas que não podem ser inflacionadas por decreto.

A pressão sobre os balanços estatais ganhou tração com o rompimento de barreiras técnicas históricas no mercado de renda fixa internacional. O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento para 30 anos ultrapassou a marca de 5,14%, enquanto os papéis de 10 anos do Banco do Japão atingiram o patamar de 2,8%.

(Rendimentos dos títulos das dívidas governamentais dos EUA e do Japão de abril de 2024 a maio de 2026.)

A manutenção desses patamares de remuneração mostra-se totalmente insustentável no longo prazo sob a ótica da contabilidade pública. As autoridades monetárias encontram-se encurraladas e precisarão optar entre o colapso por calote soberano ou a destruição do poder de compra de suas moedas.

Os governos não possuem margem de manobra para resgatar o equilíbrio financeiro sem emitir mais dinheiro. Embora a volatilidade decorrente dessa ruptura sistêmica tenda a gerar um ambiente caótico para as moedas digitais no curto prazo, ela servirá como a validação empírica da tese do Bitcoin como ativo de refúgio.

O cenário de fragilidade fiscal consolida-se em um momento no qual o endividamento bruto dos Estados Unidos rompeu a barreira astronômica dos 39 trilhões de dólares. O quadro é agravado pelo acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que pressionam os gastos de defesa e impulsionam o preço dos insumos energéticos internacionais.

O cenário internacional tornou-se altamente inflacionário devido aos conflitos. O encarecimento do petróleo decorrente dos conflitos no Irã disparou um novo surto inflacionário global que anula as projeções de corte de juros. Tradicionalmente, os bancos centrais elevam os rendimentos dos títulos para restringir o acesso ao crédito e esfriar a atividade econômica.

A estratégia clássica de aperto monetário perdeu tração diante do rombo orçamentário. No entanto, o gigantismo do déficit orçamentário norte-americano neutralizou a eficácia dessa ferramenta clássica de política monetária. Manter as taxas elevadas para conter os preços provoca o efeito colateral de inflar drasticamente o custo de rolagem da própria dívida do governo.

(Uma previsão de como seria o orçamento anual dos EUA se os rendimentos dos títulos disparassem para 7%.)

Os custos para honrar os compromissos financeiros do Estado ameaçam paralisar a máquina pública. A manutenção das taxas de juros nos níveis atuais fará com que as despesas anualizadas com o serviço da dívida engulam toda a arrecadação tributária federal. Diante desse estrangulamento matemático, analistas macroeconômicos independentes alertam para uma mudança nos bastidores do poder central.

O Federal Reserve precisará recorrer a expedientes alternativos de liquidez para evitar a insolvência técnica. Para evitar a sinalização de pânico, o Federal Reserve e o Tesouro norte-americano tentarão mascarar novos programas de afrouxamento quantitativo (quantitative easing). O fornecimento disfarçado de liquidez ao sistema financeiro deverá ser executado por meio de mecanismos indiretos, como o controle da curva de juros e a recompra velada de títulos públicos de longo prazo.

“Para o Bitcoin, a próxima volatilidade será caótica no curto prazo, mas serve como o vento de popa estrutural definitivo para um superciclo de longo prazo.”


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