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Ouro despenca como não se via desde 1983

O mercado global foi surpreendido por uma queda abrupta no preço do ouro. O metal registrou sua pior semana em mais de quatro décadas, abalando sua imagem de porto seguro. O ouro recuou mais 3,5%, sendo negociado a cerca de US$ 4.488 por onça, acumulando uma queda de 11% na semana — o pior desempenho desde 1983.

A correção recente interrompe um ciclo de forte valorização observado no início do ano. Desde o fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram ataques ao Irã, o ouro já caiu mais de 15%. A reversão levanta dúvidas sobre o papel do ativo em momentos de crise. Até então, o metal vinha sendo impulsionado por incertezas globais, chegando próximo de US$ 5.500 em janeiro.

Dados da TradingView confirmam a magnitude do movimento. Entre os dias 16 e 20 de março, o ouro registrou seu pior desempenho semanal em mais de 40 anos. A volatilidade recente apagou trilhões de dólares em valor de mercado em poucos dias. Um episódio semelhante ocorreu no fim de janeiro, quando o preço saltou rapidamente para cerca de US$ 5.320 antes de cair para US$ 4.650, eliminando mais de US$ 2 trilhões em capitalização.

(Variação do preço do ouro nos últimos 12 meses.)

A queda acontece em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos tem impactado diretamente o mercado de energia, especialmente no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo. A crise energética adiciona uma camada extra de instabilidade ao cenário global.

Apesar disso, o comportamento do ouro tem surpreendido analistas. Em vez de subir como ativo de proteção, o metal tem recuado. O movimento sugere uma mudança no padrão tradicional de aversão ao risco. Parte dessa dinâmica pode ser explicada pela expectativa em torno da política monetária dos Estados Unidos.

Investidores passaram a acreditar que o Federal Reserve manterá as taxas de juros elevadas ao longo do ano. Com isso, ativos que geram rendimento, como títulos públicos, tornam-se mais atrativos em comparação ao ouro, que não oferece retorno direto. O custo de oportunidade pesa contra o metal precioso.

O presidente do FEDERAL RESERVE, Jerome Powell, também alertou que o aumento dos preços de energia pode pressionar a inflação no curto prazo. Esse cenário reforça a manutenção de juros altos, o que tende a prejudicar ainda mais o ouro.

No comparativo com outros ativos, o desempenho recente também chama atenção. Apesar da queda atual, o ouro ainda acumula valorização de cerca de 48,5% nos últimos 12 meses. O histórico recente ainda é positivo, mas a tendência de curto prazo mudou. Já o Bitcoin, no mesmo período, recuou aproximadamente 16,5%.

Curiosamente, durante o atual conflito no Oriente Médio, o comportamento foi inverso. Desde os primeiros ataques ao Irã, o Bitcoin subiu mais de 11%, sendo negociado acima de US$ 70 mil. A criptomoeda reagiu melhor à crise do que o ouro. Esse movimento reforça uma narrativa emergente de que ativos digitais podem, em certos contextos, competir com o ouro como reserva de valor.

No pano de fundo, o episódio evidencia uma transformação mais ampla nos mercados globais. O conceito de “porto seguro” está sendo reavaliado. Em um ambiente de juros elevados, tensões geopolíticas e novas tecnologias financeiras, até ativos historicamente estáveis passam a ter seu papel questionado.


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