[ccpw id="10361"]

PayPal leva dólar digital a 70 países

PayPal leva dólar digital a 70 países

O PAYPAL deu um passo decisivo na corrida pelos pagamentos digitais ao ampliar o acesso ao seu stablecoin, o PayPal USD (PYUSD), para 70 países. A expansão marca uma mudança relevante na estratégia da empresa, que passa a posicionar sua moeda digital como ferramenta global de movimentação financeira, especialmente em mercados onde o acesso ao dólar é limitado ou caro. O dólar digital está deixando de ser nicho para virar infraestrutura.

Até então restrito a usuários dos Estados Unidos e do Reino Unido, o PYUSD agora chega a regiões da Ásia-Pacífico, Europa, América Latina e América do Norte. Com isso, milhões de usuários passam a poder enviar, receber e armazenar valores diretamente em dólar dentro da plataforma. A iniciativa reforça a tentativa do PAYPAL de se consolidar como ponte entre o sistema financeiro tradicional e o universo digital. A expansão transforma o PayPal em um player global de moeda digital.

“Levar o PYUSD para 70 mercados dá às pessoas acesso mais rápido ao dinheiro, reduz custos de transferências internacionais e amplia a participação na economia global”, afirmou May Zabaneh, chefe de cripto da empresa.

Além da funcionalidade básica de pagamentos, a empresa também introduziu incentivos financeiros. Usuários em novos mercados poderão receber recompensas ao manter saldos em PYUSD, aproximando o modelo de uma conta remunerada. A integração com carteiras digitais externas amplia ainda mais o alcance do ativo, permitindo sua circulação fora do ecossistema do PAYPAL. A stablecoin deixa de ser apenas meio de pagamento — vira produto financeiro.

O impacto é particularmente relevante em países com restrições cambiais ou sistemas bancários menos eficientes. Em locais como o Peru, por exemplo, usuários só conseguiam sacar valores em moeda local, arcando com taxas adicionais em transferências internacionais. Com o PYUSD, passa a ser possível manter saldo diretamente em dólar, reduzindo custos e volatilidade cambial.

Em mercados ainda mais restritivos, como Malawi, a mudança pode ser ainda mais significativa. Antes, os usuários eram obrigados a transferir imediatamente os valores recebidos para contas bancárias. Agora, poderão manter o dinheiro dentro da própria carteira digital, criando uma espécie de conta em dólar dentro do PAYPAL. O controle sobre o dinheiro está migrando para o usuário.

“Isso desbloqueia um conceito de saldo e também de rendimento nessas contas”, explicou Zabaneh.

O movimento acontece quase três anos após o lançamento do PYUSD, desenvolvido em parceria com a PAXOS TRUST em agosto de 2023. Desde então, o ativo ganhou relevância no mercado de stablecoins, ocupando atualmente a sétima posição entre os tokens atrelados ao dólar, com valor de mercado próximo de US$ 4,1 bilhões, segundo dados do COINGECKO.

(As oito principais stablecoins atreladas ao dólar americano por capitalização de mercado.)

O crescimento tem sido acelerado. Em 2025, a capitalização do PYUSD saltou cerca de 600%, saindo de aproximadamente US$ 500 milhões no início do ano para US$ 3,6 bilhões no final. Esse avanço reflete uma tendência mais ampla: a crescente adoção de stablecoins como alternativa para pagamentos, remessas e preservação de valor, especialmente em economias emergentes.

Segundo dados do BANCO MUNDIAL, o custo médio global de remessas ainda gira em torno de 6%, com picos maiores em determinados corredores financeiros. Nesse contexto, soluções baseadas em blockchain surgem como alternativas mais eficientes, reduzindo intermediários e acelerando liquidações. O sistema tradicional ainda é caro — e isso abre espaço para inovação.

A estratégia do PAYPAL também dialoga com um movimento maior no setor financeiro. Empresas e instituições vêm investindo em moedas digitais como forma de competir com bancos tradicionais e redes de pagamento. Ao integrar stablecoins à sua base global de usuários, o PAYPAL não apenas amplia seu portfólio, mas redefine seu papel no mercado.

Ainda assim, desafios permanecem. Questões regulatórias, integração com sistemas bancários locais e concorrência com outras stablecoins — como USDT e USDC — devem influenciar o ritmo de adoção. Além disso, governos e reguladores seguem atentos ao crescimento desses ativos, especialmente no que diz respeito à política monetária e à estabilidade financeira.

No fim, a expansão do PYUSD revela uma transformação mais profunda: o dinheiro está se tornando programável, global e cada vez menos dependente de fronteiras. A disputa pelo futuro dos pagamentos já começou e o PayPal quer liderar.


Veja mais em: Criptomoedas | Investimentos | Notícias

Compartilhe este post

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp