O sistema de pagamentos instantâneos PIX, criado pelo BANCO CENTRAL DO BRASIL, deu mais um passo em sua expansão internacional. A autoridade monetária anunciou que brasileiros residentes na Argentina agora poderão utilizar o serviço para pagar produtos, contratar serviços e enviar dinheiro entre os dois países. O Pix começa a ultrapassar as fronteiras brasileiras.
Lançado em 2020, o Pix rapidamente se tornou um dos sistemas de pagamento digital mais utilizados do mundo. Segundo dados oficiais do BANCO CENTRAL DO BRASIL, o sistema já ultrapassou 160 milhões de usuários e responde por bilhões de transações mensais no país.
Com a nova expansão, brasileiros vivendo na Argentina passam a ter acesso à infraestrutura de pagamentos instantâneos que revolucionou o sistema financeiro brasileiro. A integração financeira regional avança.
Além do uso cotidiano para compras e transferências, o Pix também se tornou uma peça importante dentro do ecossistema de criptomoedas na América Latina.
Diversas plataformas que operam no Brasil utilizam o sistema como porta de entrada para a conversão de moeda fiduciária em ativos digitais. Entre elas estão empresas como BINANCE, CRYPTO.COM, MERCADO BITCOIN, KRAKEN e o aplicativo de criptomoedas LEMON.
Essa integração facilita o chamado fiat on-ramp — processo que permite que usuários convertam dinheiro tradicional em criptomoedas de forma rápida e simples. Pix virou infraestrutura para o mercado criptográfico.
A Argentina, por sua vez, tem se consolidado como um dos mercados mais ativos do mundo no uso de criptomoedas. Segundo o relatório State of the Crypto Industry in Latin America 2025, publicado pela empresa LEMON, o país lidera a adoção de criptomoedas per capita na região.
Já o Brasil ocupa a primeira posição quando se considera o volume total de criptomoedas recebidas.

O relatório também aponta que o número de usuários de criptomoedas na Argentina quadruplicou em relação ao ciclo de mercado de 2021. No conjunto da América Latina, a taxa de adoção de ativos digitais é cerca de três vezes maior do que nos Estados Unidos. Esse crescimento reflete uma combinação de fatores econômicos e tecnológicos.
A região virou um laboratório global para inovação financeira. Segundo a LEMON, a expansão do Pix também teve impacto direto no crescimento de aplicativos cripto na Argentina.
“Argentina registrou 5,4 milhões de downloads de aplicativos cripto em 2025.”
Mais de 90% desses downloads foram de carteiras digitais que oferecem integração com o sistema Pix para pagamentos no Brasil.

A adoção crescente de criptomoedas na América Latina está fortemente ligada à instabilidade econômica histórica de diversos países da região. Inflação elevada, volatilidade cambial e restrições financeiras levaram milhões de pessoas a buscar alternativas fora do sistema bancário tradicional.
Criptomoedas e stablecoins passaram a funcionar como reservas de valor, meios de pagamento e ferramentas para transferências internacionais. Para muitos latinos, o dinheiro digital virou necessidade. No caso da Argentina, no entanto, o cenário econômico começou a apresentar mudanças recentes.
Em 2025, o país registrou a menor inflação anual em oito anos. A taxa caiu para cerca de 37%, uma redução significativa em relação ao ano anterior. Embora ainda elevada em padrões internacionais, essa queda representou um avanço importante para a estabilidade econômica.
A inflação continua alta, mas já mostra sinais de melhora. Outra mudança relevante foi a flexibilização dos controles cambiais no país. Durante anos, cidadãos argentinos enfrentaram fortes restrições para comprar dólares no mercado oficial. Isso levou ao surgimento de mercados paralelos e ao uso massivo de stablecoins atreladas ao dólar.
Com a remoção dessas restrições, os argentinos passaram a poder comprar e vender dólares no mercado aberto. Essa mudança reduziu a dependência de soluções informais e ampliou as possibilidades de uso de tecnologias financeiras digitais. O ambiente econômico começa a se normalizar.
Segundo analistas da LEMON, essa nova realidade também abre espaço para que o uso de criptomoedas na região evolua. Se antes muitos usuários recorriam aos ativos digitais principalmente como forma de proteção contra inflação ou controles cambiais, agora novas aplicações começam a surgir.
Entre elas estão pagamentos internacionais, comércio digital e integração com sistemas financeiros modernos. O Pix pode ser a ponte entre o sistema bancário tradicional e o universo criptográfico na América Latina.


