Michael Saylor, o conhecido presidente executivo da Strategy, (anteriormente MicroStrategy) e um dos mais proeminentes defensores institucionais do Bitcoin, expressou recentemente fortes reservas sobre a prática de instituições publicarem provas de reservas onchain.
Em um evento durante a conferência Bitcoin 2025, Saylor descreveu a medida de transparência como uma má ideia que poderia introduzir vulnerabilidades críticas de segurança para as empresas e seus stakeholders.
A prova de reservas é uma ferramenta de transparência usada principalmente por corretoras de criptomoedas, custodiantes e certos gestores de fundos para demonstrar publicamente que possuem ativos em criptomoedas suficientes para cobrir todos os depósitos de clientes ou passivos do fundo. Ela é frequentemente apresentada como uma forma de construir confiança após colapsos de corretoras de alto perfil, como o da FTX em 2022, fornecendo evidências criptográficas dos ativos mantidos em nome dos usuários.
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Desde o desastre da FTX — que abalou a indústria de criptomoedas e revelou os riscos da má gestão de ativos — muitas empresas adotaram a prova de reservas para tranquilizar clientes e investidores sobre sua solvência. Grandes exchanges como Binance, Kraken e OKX, juntamente com gestoras de ativos como a Bitwise, implementaram tais divulgações para aumentar a transparência.
Apesar do apelo da transparência, Michael Saylor argumenta:
“A publicação de provas de reservas on-chain expõe emissores, custodiantes, exchanges e investidores a ameaças de segurança desnecessárias. O método convencional de revelar endereços de carteira e saldos para comprovar reservas é fundamentalmente falho. Na verdade, isso dilui a segurança do emissor, dos custodiantes, das exchanges e dos investidores. Não é uma boa ideia, é uma má ideia. Os riscos superam os benefícios.”
Questionado pelo analista da Blockware Solutions, Mitchell Askew, se a Strategy publicaria sua própria prova de reservas, Saylor se recusou a fornecer uma resposta direta, reforçando sua posição contra a prática.
Saylor explica que a divulgação de endereços de carteira (um componente comum da prova de reservas) permite que os adversários rastreiem as transações. Essa transparência pode se tornar um problema, revelando detalhes operacionais, expondo protocolos de segurança e potencialmente tornando as empresas vulneráveis a invasões ou ataques coordenados ao longo do tempo.
Ele recomendou o uso de inteligência artificial para simular as potenciais consequências de tais divulgações, sugerindo que uma análise aprofundada produziria uma extensa documentação descrevendo as fragilidades de segurança.
“Vá para a IA, coloque-a em modo de reflexão profunda e pergunte ‘quais são os problemas de segurança da publicação dos endereços da sua carteira?’ e ‘como isso pode comprometer a segurança da sua empresa ao longo do tempo’? Isso geraria ’50 páginas de problemas de segurança’.”
Outra crítica levantada é que a prova de reservas revela principalmente apenas um lado da situação financeira de uma empresa: os ativos que ela detém. Ela não mostra necessariamente os passivos ou obrigações, como dívidas, saques pendentes de clientes ou passivos fora da blockchain. Isso significa que a prova de reservas, embora útil para confirmar a solvência, pode dar uma falsa sensação de segurança se os passivos não forem contabilizados de forma transparente.
Essa limitação tem sido uma preocupação em todo o setor, especialmente à luz de falências passadas em que as empresas eram tecnicamente solventes on-chain, mas alavancavam excessivamente ou administravam mal os passivos off-chain.
A empresa de Saylor, a Strategy, é a maior detentora corporativa de Bitcoin publicamente conhecida globalmente, com aproximadamente 576.230 BTC em seu balanço — atualmente avaliado em mais de US$62 bilhões. Isso ofusca outros detentores corporativos, como a mineradora de Bitcoin MARA Holdings, que detém cerca de 48.137 BTC.
Mais de 110 empresas de capital aberto em todo o mundo adquiriram Bitcoin como parte de sua estratégia de tesouraria, sinalizando uma forte adoção institucional, apesar dos debates em andamento sobre estruturas regulatórias e melhores práticas de transparência.
O debate em torno da prova de reservas destaca uma tensão mais ampla no ecossistema de criptomoedas entre transparência e segurança. Enquanto usuários e reguladores exigem cada vez mais transparência para prevenir fraudes e proteger os fundos dos clientes, as empresas também devem se proteger contra riscos operacionais que possam comprometer seus ativos.
Alguns participantes do setor estão explorando soluções alternativas, como provas criptográficas que não revelam endereços de carteira ou aproveitando provas de conhecimento zero que verificam reservas sem expor informações sensíveis. Essas abordagens buscam equilibrar a divulgação com a confidencialidade necessária para proteger os ativos contra roubo ou ataques.
