O legislador brasileiro, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, apresentou um projeto de lei que pode mudar a forma como os salários são pagos no país, permitindo que os empregadores paguem seus funcionários em criptomoedas como Bitcoin.
O projeto de lei, intitulado PL 957/2025, visa regular os pagamentos em criptomoedas para salários, remunerações e benefícios trabalhistas, ao mesmo tempo em que garante que a moeda nacional, o real brasileiro, continue sendo uma parte fundamental da remuneração.

Apresentado em março de 2025, a legislação proposta legaliza pagamentos voluntários e parciais de salários em criptomoedas. No entanto, o projeto de lei também determina que uma parte do salário ainda deve ser paga em real brasileiro, impedindo que os funcionários recebam todo o seu salário em criptomoedas. Especificamente, o projeto de lei propõe que não mais do que 50% do salário de um funcionário pode ser pago em criptomoedas, com os 50% restantes na moeda fiduciária tradicional.
De acordo com o projeto de lei proposto, empregadores e empregados poderiam negociar pagamentos de salários em Bitcoin ou outras criptomoedas, mas o pagamento integral em criptomoedas seria proibido, exceto em casos envolvendo funcionários expatriados ou trabalhadores estrangeiros. Isso poderia abrir as portas para uma aceitação mais ampla de pagamentos em criptomoedas, mantendo a estabilidade da moeda nacional para a maioria dos trabalhadores.
Além disso, o projeto de lei descreve que quaisquer pagamentos em criptomoedas feitos devem ser convertidos de acordo com a taxa de câmbio oficialmente estabelecida por uma instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil. Esta regulamentação garantiria que o processo de conversão permanecesse transparente e alinhado com os padrões oficiais de câmbio.
Luiz Philippe, que está cumprindo seu segundo mandato como deputado federal por São Paulo, expressou apoio a esta mudança como um meio de promover o setor de tecnologia financeira no Brasil. Ele afirmou:
“Permitir pagamentos em criptomoedas poderá atrair investimentos em criptomoedas para a economia local e impulsionar a adoção de tecnologias financeiras no país. Ao fornecer às empresas e trabalhadores a opção de serem pagos em criptomoedas, o Brasil poderá se posicionar como uma nação com visão de futuro no cenário global de criptomoedas.”
Ele também aponta que a medida se alinha com tendências globais mais amplas, onde países como Suíça, Japão e Portugal já implementaram pagamentos salariais em criptomoedas com sucesso. Por exemplo, o Japão exige acordos individuais entre empregadores e empregados para pagamentos em criptomoedas, bem como diretrizes para taxas de conversão. Em Portugal, regulamentações flexíveis impulsionaram a adoção de ativos virtuais no setor financeiro.
O projeto de lei visa aumentar a liberdade de escolha para trabalhadores e empregadores, reforçando o princípio da autonomia nas relações contratuais. Essa liberdade poderia capacitar ambas as partes a negociar os termos de seu emprego de forma mais eficaz, sem comprometer as garantias trabalhistas fundamentais.
Embora alguns países tenham adotado criptomoedas em pagamentos, outros permanecem cautelosos ou totalmente proibitivos. Por exemplo, El Salvador ganhou as manchetes em 2021 ao adotar o Bitcoin como moeda legal, embora tenha descontinuado a permissão de pagamentos de impostos em Bitcoin após fechar um acordo com o FMI. Outros países como Turquia e Rússia proibiram o uso de criptomoedas para pagamentos, destacando a divisão nas atitudes globais em relação às moedas digitais.
A possível iniciativa do Brasil de permitir pagamentos de salários em criptomoedas o colocaria entre um punhado de países que exploram o uso de moedas digitais em transações oficiais. A proposta poderia posicionar ainda mais o Brasil como líder na América do Sul na adoção de tecnologia de blockchain e criptomoedas.
A introdução do projeto de lei gera discussões importantes sobre os potenciais benefícios e riscos de permitir pagamentos em criptomoedas no local de trabalho. Os proponentes argumentam que isso poderia levar a uma maior inclusão financeira, maior acesso a serviços de criptomoedas e à promoção da tecnologia de blockchain no Brasil. Ao regulamentar os pagamentos em criptomoedas, o governo pode mitigar alguns dos riscos associados à volatilidade das moedas digitais, como garantir que os funcionários ainda possam contar com o real brasileiro para uma parte de seus salários.
No entanto, os críticos do projeto de lei podem levantar preocupações sobre a volatilidade de criptomoedas como o Bitcoin, que pode flutuar significativamente em valor. Uma queda acentuada no valor de uma criptomoeda entre o momento do pagamento e a conversão pode resultar em perda de renda para os trabalhadores que optam por ser pagos em criptomoedas. Além disso, alguns podem questionar se a infraestrutura para tais pagamentos é suficientemente robusta para suportar a adoção generalizada.
Embora algumas empresas possam acolher a opção de pagar os funcionários em Bitcoin, outras podem relutar em adotar esse método de pagamento devido à complexidade das transações de criptomoedas.
