Em uma declaração que destaca a enorme escala do mercado de stablecoins, o CEO da TETHER, Paolo Ardoino, anunciou recentemente que o principal produto da empresa, o USDT, ultrapassou a marca de 500 milhões de usuários. Ardoino enquadrou esse marco como uma conquista histórica, reforçando o peso global da adoção do ativo. A empresa enfatizou que esse número não representa o número de carteiras individuais, mas sim uma estimativa de “pessoas reais” que utilizaram o dólar digital, equivalente a aproximadamente 6,25% da população mundial. Esse dado evidencia o impacto global do USDT, colocando-o como uma das ferramentas financeiras digitais mais utilizadas do planeta.

Essa afirmação visa posicionar a TETHER menos como uma ferramenta para especuladores de criptomoedas e mais como uma camada fundamental de um novo sistema financeiro paralelo. Ela aborda diretamente o problema persistente da população sem acesso a serviços bancários, um segmento que, segundo o Global Findex 2025 do Banco Mundial, ainda inclui 1,3 bilhão de adultos. Embora esse número seja menor do que estimativas anteriores, ele ainda representa uma enorme parcela da população mundial excluída do sistema financeiro tradicional. O potencial das criptomoedas se torna evidente ao observar que, desses 1,3 bilhão, quase 900 milhões possuem um telefone celular, sendo mais de 530 milhões smartphones — o único hardware necessário para usar uma carteira digital.
A TETHER tem investido fortemente nessa narrativa, celebrando os 500 milhões de usuários com um documentário mostrando a adoção do USDT no Quênia. A mensagem central reforça que, para milhões, stablecoins significam sobrevivência, e não especulação. Este é um tema recorrente nas falas de Ardoino, que observa que grande parte do uso do USDT hoje ocorre fora das exchanges. Ele estima que entre 50% e 60% do volume do token está ligado a remessas internacionais, comércio de commodities e liquidação de faturas. Além disso, cerca de 37% de todo o USDT é mantido como reserva de valor, funcionando como poupança digital para famílias e empresas em países de alta inflação que não confiam em suas moedas locais.
A situação no Quênia ilustra perfeitamente essa utilidade. Pequenas empresas dependem do USDT para fugir das limitações do xelim queniano, que se desvaloriza rapidamente. O acesso a dólares via bancos é lento, caro e burocrático. O USDT, por outro lado, permite pagamentos quase instantâneos e de baixo custo, oferecendo um suporte vital que ajuda empresas a se manterem operacionais e competitivas no comércio internacional.
Essa narrativa de utilidade prática é reforçada pelo domínio esmagador da TETHER no mercado. Com uma capitalização de aproximadamente 182,4 bilhões de dólares, o USDT é a maior stablecoin do mundo. Seu concorrente mais próximo, o USDC da CIRCLE, possui apenas 76,8 bilhões, garantindo à TETHER cerca de 58,4% de participação de mercado. Esse domínio também gerou grande lucratividade, com mais de 10 bilhões de dólares em lucro líquido acumulado até o terceiro trimestre de 2025. Boa parte desse lucro vem dos juros de suas reservas, que incluem cerca de 135 bilhões de dólares em títulos do Tesouro dos EUA — o que torna a empresa uma das maiores detentoras de dívida americana globalmente.
Esse sucesso financeiro pavimentou o caminho para um dos negócios mais ambiciosos da história recente. Relatos indicam que a TETHER está em negociações com grandes investidores, incluindo possíveis nomes como SOFTBANK e ARK INVEST, para levantar entre 15 e 20 bilhões de dólares em nova rodada de financiamento. O objetivo seria atingir uma avaliação monumental de 500 bilhões de dólares, colocando a empresa entre as privadas mais valiosas do mundo. Caso isso se confirme, a TETHER se consolidará definitivamente como uma potência financeira global, ultrapassando a mera existência como um protocolo de criptomoedas.
