[ccpw id="10361"]

Stablecoins em dólar podem ameaçar economias emergentes

O avanço das stablecoins no sistema financeiro global começa a acender sinais de alerta entre reguladores internacionais. O uso crescente de stablecoins atreladas ao dólar pode gerar riscos estruturais para economias emergentes. Essa é a principal conclusão do relatório anual de 2025 do FINANCIAL STABILITY BOARD (FSB), órgão ligado ao BANK FOR INTERNATIONAL SETTLEMENTS e responsável por monitorar a estabilidade financeira global.

Segundo o documento, stablecoins denominadas em moeda estrangeira, especialmente em dólar, apresentam riscos mais intensos em países em desenvolvimento. A dependência de ativos digitais em dólar pode enfraquecer economias locais. Isso ocorre porque esses ativos circulam globalmente e podem substituir moedas nacionais em determinadas funções financeiras.

Entre os principais riscos apontados estão a substituição cambial, a redução do uso de sistemas de pagamento domésticos e a perda de eficácia da política monetária. Governos podem perder controle sobre sua própria economia. Além disso, o FSB destaca possíveis impactos fiscais e a facilidade de contornar controles de capital, o que pode aumentar a vulnerabilidade financeira desses países.

(Relatório anual do FSB para 2025.)

O relatório também chama atenção para a necessidade de monitoramento contínuo do setor. Reguladores devem acompanhar a evolução das stablecoins para identificar riscos relacionados à liquidez, falhas operacionais e conexões com o sistema financeiro tradicional. A integração crescente com mercados tradicionais amplia o potencial de impacto sistêmico.

Esse posicionamento reforça análises anteriores do próprio FSB. Em 2023, o órgão já havia proposto um conjunto de diretrizes globais para regular criptoativos e stablecoins. Em sua revisão mais recente, realizada em 2025, o conselho concluiu que ainda existem lacunas significativas na implementação dessas regras ao redor do mundo. A regulação global ainda está fragmentada.

O FSB foi criado em 2009, após a crise financeira de 2008, com o objetivo de fortalecer a estabilidade do sistema financeiro internacional. Seu papel é antecipar riscos antes que se tornem crises. Nesse contexto, o crescimento das stablecoins passou a ser visto como um ponto de atenção relevante.

Apesar dos alertas, o relatório reconhece que a adoção desses ativos ainda é limitada em aplicações ligadas à economia real.

“Apesar do crescimento recente, criptoativos e stablecoins ainda não são amplamente utilizados em serviços financeiros que sustentam a economia real.”

Isso indica que, embora o mercado esteja em expansão, sua influência direta sobre atividades econômicas tradicionais ainda é restrita. O impacto potencial ainda é maior do que o impacto atual.

(Valor de mercado diário de criptoativos, volume de transações mensais ajustado para atividades duplicadas ou automatizadas.)

Mesmo assim, o FSB reconhece que stablecoins podem trazer benefícios, especialmente em pagamentos internacionais e eficiência operacional. No entanto, reforça que esses ganhos devem ser equilibrados com uma supervisão adequada. O desafio é aproveitar a inovação sem comprometer a estabilidade.

Para 2026, o órgão definiu como prioridade o acompanhamento da inovação digital, com foco em criptoativos e stablecoins. Além disso, destacou a importância de monitorar outros pontos de vulnerabilidade, como crédito privado, intermediação financeira fora do sistema bancário tradicional e pagamentos transfronteiriços. O escopo de vigilância está se ampliando rapidamente.

No pano de fundo, o alerta do FSB revela uma tensão crescente entre inovação financeira e soberania econômica. O avanço das stablecoins pode redesenhar o equilíbrio entre moedas nacionais e ativos digitais globais. Para economias emergentes, essa transformação representa tanto uma oportunidade quanto um risco significativo.


Veja mais em: Criptomoedas | Notícias

Compartilhe este post

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp