[ccpw id="10361"]

Telegram transforma chat em rendimento criptográfico

Telegram transforma chat em rendimento criptográfico

O TELEGRAM decidiu dar um passo além das conversas e transformar sua carteira digital integrada em uma ferramenta de geração de renda. A atualização permite que usuários obtenham rendimento sobre Bitcoin, Ether e USDt diretamente dentro do aplicativo de mensagens. O chat virou porta de entrada para o DeFi.

A novidade introduz cofres (vaults) na TON Wallet, carteira de autocustódia integrada ao Wallet in Telegram. A funcionalidade permite armazenar, enviar e gerar rendimento com Bitcoin, Ethereum e Tether sem sair da interface de conversa.

“Na Wallet in Telegram, nossa missão é transformar ativos digitais de conceitos complexos em ferramentas práticas para o dia a dia.”

A declaração é de Andrew Rogozov, CEO da The Open Platform e do Wallet in Telegram. A proposta é simplificar o que sempre foi técnico demais.

Nos bastidores, o sistema opera sobre infraestrutura de finanças descentralizadas. A rede de empréstimos MORPHO fornece o mecanismo de geração de rendimento, enquanto a camada de execução TON Applications Chain (TAC), vinculada ao ecossistema da TON Foundation, sustenta a integração. A provedora de estratégias Re7 coordena a alocação dos ativos. Para o usuário final, porém, a experiência é semelhante à de uma carteira comum.

A iniciativa busca remover barreiras típicas do DeFi, como a necessidade de múltiplas carteiras, pontes entre redes e interações com aplicações externas. Segundo dados da Chainalysis, menos de 5% dos detentores globais de criptomoedas utilizam protocolos DeFi de forma recorrente, em grande parte devido à complexidade operacional. Reduzir fricção pode ampliar adesão.

Os cofres oferecem rendimentos variáveis. No caso do USDT, as estratégias são denominadas em dólar e apresentam diferentes níveis de risco. Já para BTC e ETH, a lógica é semelhante: o usuário mantém autocustódia enquanto participa de estratégias de empréstimo ou provisão de liquidez.

“O objetivo é tornar o rendimento on-chain acessível da maneira mais simples possível — diretamente dentro de uma carteira autocustodial incorporada em um aplicativo de consumo convencional.”

A fala de um porta-voz do Wallet in Telegram reforça a intenção de integrar produtos financeiros avançados a um aplicativo de consumo massivo. O TELEGRAM afirma possuir mais de 150 milhões de usuários registrados na carteira integrada.

Outro ponto relevante é a promessa de suporte a depósitos diretos de Bitcoin e Ether nativos. Os ativos seriam automaticamente convertidos para versões “embrulhadas” dentro do ecossistema TON, permitindo transferências e geração de rendimento. Esse mecanismo é comum em ambientes multichain, mas envolve riscos técnicos associados à custódia e interoperabilidade.

A expansão ocorre em meio a um crescimento financeiro expressivo da empresa. Em 2025, o TELEGRAM reportou receita operacional de US$ 870 milhões no primeiro semestre, alta de 65% em relação aos US$ 525 milhões do mesmo período do ano anterior. Aproximadamente US$ 300 milhões vieram de acordos de exclusividade ligados à criptomoeda Toncoin (TON), segundo dados divulgados pela própria companhia. Criptomoedas já pesa no balanço.

No início do mês, a TON Foundation apresentou o TON Pay, um kit de desenvolvimento que permite a comerciantes e desenvolvedores de Mini Apps aceitarem pagamentos em criptomoedas dentro do aplicativo. A estratégia indica ambição de transformar o TELEGRAM em um ecossistema financeiro integrado.

Especialistas veem potencial, mas alertam para riscos. Relatórios do Bank for International Settlements destacam que produtos DeFi expõem usuários a volatilidade, riscos de liquidez e vulnerabilidades em contratos inteligentes. Embora a autocustódia preserve controle sobre os ativos, ela também transfere responsabilidade integral ao usuário.

Ao integrar rendimento cripto diretamente em uma plataforma de mensagens com centenas de milhões de usuários, o TELEGRAM aproxima finanças descentralizadas do cotidiano digital. A fronteira entre conversa e transação está desaparecendo.

Resta observar se a simplificação da experiência será suficiente para levar o DeFi ao público de massa — e se os usuários compreenderão plenamente os riscos associados à promessa de rendimento fácil dentro de um aplicativo de chat.


Veja mais em: Criptomoedas | Notícias

Compartilhe este post

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp