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Tesourarias de Ether buscam vantagem além dos ETFs

Tesourarias de Ether buscam vantagem além dos ETFs

Empresas que mantêm reservas corporativas em Ether estão diante de um novo dilema competitivo. Com a popularização de produtos financeiros baseados em staking, surge a necessidade de ir além do rendimento básico oferecido ao investidor. O jogo deixou de ser apenas segurar cripto e esperar valorização. Executivos do setor defendem que a diferenciação virá da capacidade de gerar retorno ativo, explorando ferramentas como liquid staking e estratégias dentro do ecossistema de finanças descentralizadas.

Durante a conferência ETHCC 2026, representantes da LIDO destacaram que o modelo tradicional de staking já não é suficiente para atrair capital institucional. O liquid staking permite que investidores bloqueiem seus ETH para validação da rede e, ao mesmo tempo, recebam um token derivado que pode ser usado em outras operações financeiras. Isso cria uma camada adicional de eficiência de capital. O dinheiro passa a trabalhar em mais de uma frente ao mesmo tempo.

A partir desse mecanismo, empresas podem adotar estratégias mais sofisticadas, como usar ETH em staking como garantia para empréstimos ou operações de alavancagem. Esse tipo de abordagem amplia o potencial de retorno, ainda que aumente a complexidade e os riscos envolvidos. Rentabilidade maior quase sempre exige assumir mais risco.

“A proposta dessas empresas precisa ir além do rendimento passivo que já existe nos ETFs.”

Esse movimento ocorre em paralelo ao crescimento de produtos regulados nos Estados Unidos. Hoje, investidores já têm acesso a veículos como o REX-Osprey ETH + Staking ETF, os fundos de staking da GRAYSCALE e o iShares Staked Ethereum Trust ETF, da BLACKROCK. Esses produtos oferecem exposição ao Ethereum com rendimento relativamente previsível, o que reduz o incentivo para investir diretamente em tesourarias corporativas. O mercado tradicional está rapidamente ocupando espaço no universo cripto.

Os números mostram uma variação considerável entre os rendimentos. Dados públicos indicam retornos líquidos próximos de 2,26% a 2,56% ao ano em produtos da GRAYSCALE, enquanto o staking nativo gira em torno de 2,7% anuais, segundo a plataforma Staking Rewards. Diferenças metodológicas dificultam comparações diretas, mas o cenário geral aponta para retornos modestos no modelo passivo. Os ganhos básicos já estão relativamente padronizados.

Nesse contexto, especialistas argumentam que a comparação direta com ETFs pode ser equivocada. Empresas que gerenciam tesourarias em Ether funcionam como veículos ativos, capazes de movimentar seus ativos de acordo com oportunidades de mercado. Isso inclui operações como basis trading, arbitragem e alocação dinâmica em protocolos DeFi. O valor está na gestão, não apenas no ativo.

“Um ETF de ETH com staking é passivo. Já uma tesouraria ativa promete algo que ele não consegue entregar.”

A fala reflete uma mudança de narrativa importante. Investidores que aceitam pagar um prêmio sobre o valor líquido dessas empresas estão, na prática, apostando na capacidade da gestão de gerar retorno acima da média. Esse prêmio, conhecido como mNAV, funciona como um voto de confiança no desempenho estratégico da companhia. Confiança virou ativo financeiro.

Relatórios públicos indicam que algumas empresas já estão explorando esse caminho. A SHARPLINK GAMING, por exemplo, acumulou mais de 14 mil ETH em recompensas de staking até março, sendo cerca de um terço proveniente de liquid staking. Mesmo assim, a empresa registrou prejuízo líquido significativo em 2025, impactada pela queda do mercado cripto. Nem estratégias sofisticadas garantem proteção contra ciclos negativos.

Outra companhia, a BTCS INC., também diversificou sua abordagem ao utilizar o protocolo ROCKET POOL para staking líquido de parte de seus ativos. Dos mais de 29 mil ETH em carteira, uma parcela relevante já está alocada nesse modelo, indicando uma tendência de adoção crescente. A diversificação virou regra entre os grandes players.

Apesar do avanço, o nível de transparência ainda varia bastante entre as empresas. Informações detalhadas sobre estratégias, riscos e alocação nem sempre são divulgadas com clareza, o que pode dificultar a avaliação por parte dos investidores. Nem todo rendimento vem acompanhado de visibilidade.

No fim, o cenário aponta para uma transformação estrutural. À medida que produtos passivos se tornam mais acessíveis, empresas precisarão justificar sua existência com desempenho superior e gestão eficiente. A competição não será apenas por rendimento, mas por estratégia, confiança e execução.


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