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Uso de stablecoins no Brasil já supera fluxos tradicionais de capital

Uso de stablecoins no Brasil já supera fluxos tradicionais de capital

O uso acelerado de moedas digitais pareadas ao dólar norte-americano no Brasil entrou definitivamente no radar das autoridades financeiras globais. Em um relatório recente sobre a estabilidade do sistema financeiro nacional, o Fundo Monetário Internacional destacou que a expansão desses ativos digitais supera o ritmo dos fluxos tradicionais de capital transfronteiriço. O órgão enfatizou a urgência de fortalecer os mecanismos de fiscalização sobre o ecossistema local, apontando que a forte aderência às moedas estáveis expõe a economia a uma maior volatilidade trazida por choques externos.

A relevância dessas infraestruturas operacionais cresceu de maneira exponencial ao longo dos últimos anos, transformando a dinâmica de pagamentos e remessas internacionais no país. O levantamento elaborado pelos técnicos do FMI aponta que as compras de ativos estáveis exibem sensibilidade de duas a três vezes maior a eventos de estresse no mercado global quando comparadas aos investimentos estrangeiros diretos ou alocações tradicionais em carteira. Essa forte reatividade torna o ecossistema um canal sensível para a entrada e saída rápida de liquidez em momentos de incerteza econômica.

A integração cada vez mais profunda entre os trilhos das moedas digitais e o sistema bancário tradicional acendeu o sinal de alerta para os reguladores em Brasília. Embora o BANCO CENTRAL DO BRASIL tenha avançado na criação de diretrizes para Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais, o FMI identificou lacunas na proteção aos clientes, nas regras para emissores e no cumprimento rigoroso de normas de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. A recomendação internacional sugere um fechamento acelerado dessas brechas regulatórias.

Com o objetivo de conter distorções operacionais e proteger as reservas cambiais locais, a autoridade monetária respondeu com medidas restritivas para o setor. Por meio da aprovação da Resolução BCB nº 561, a autarquia proibiu o uso de criptoativos para a liquidação de determinados serviços de pagamento e transferências internacionais intermediados por provedores de eFX. A nova diretriz determina que as transações de liquidação entre plataformas nacionais e parceiros estrangeiros devem ser efetuadas obrigatoriamente por operações cambiais oficiais ou movimentações registradas em reais.

As restrições impostas buscam coibir o uso de moedas estáveis como trilhos paralelos para a remessa não declarada de divisas, garantindo transparência ao mercado cambial. A migração das operações corporativas para infraestruturas distribuídas desafia os modelos clássicos de monitoramento, exigindo do Fisco e do órgão regulador uma capacidade contínua de rastreamento de dados em tempo real. A exigência de liquidação via moeda nacional visa restabelecer o controle sobre o fluxo de pagamentos internacionais que antes utilizavam esses ativos como atalho regulatório.

“O mercado de criptoativos no Brasil é amplo, cresce rapidamente e está cada vez mais interligado ao sistema financeiro tradicional.”

A posição do FMI reforça a percepção de que a adoção em massa de ferramentas como USDT e USDC deixou de ser um fenômeno marginal para se tornar um elemento central na pauta macroeconômica brasileira. A alta demanda por proteção cambial e a agilidade nas transferências mantêm a busca por moedas estáveis aquecida, enquanto o mercado se adapta às exigências de conformidade vigentes. O cenário exige um equilíbrio delicado entre a preservação da estabilidade monetária, a prevenção a ilícitos financeiros e o estímulo à inovação tecnológica no ecossistema financeiro.


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