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VISA faz demissão em massa para focar em stablecoins

VISA faz demissão em massa para focar em stablecoins

O setor de pagamentos globais passa por uma reestruturação profunda impulsionada pela inovação tecnológica e pela busca de maior eficiência operacional. A VISA anunciou a demissão de aproximadamente 2,6 mil funcionários em suas unidades globais, número que equivale a 7% de seu quadro total. A redução afetará diretamente as equipes de desenvolvimento de produtos e tecnologia, marcando uma virada estratégica para redirecionar recursos financeiros a frentes com alto potencial de retorno, incluindo inteligência artificial e a infraestrutura de moedas digitais estáveis.

O plano de reorganização foi comunicado às equipes por meio de um documento interno assinado pelo executivo Ryan McInerney. A liderança da companhia ressaltou que a estrutura precisa se adaptar à evolução do mercado financeiro e ao avanço de ferramentas automatizadas. O movimento acompanha o crescimento do uso de stablecoins em transações transfronteiriças e sistemas corporativos, que passaram a competir diretamente com as redes tradicionais de liquidação bancária e exigem constante inovação tecnológica.

Com o encerramento do último ano fiscal registrando mais de 34 mil colaboradores, o corte de pessoal busca controlar despesas operacionais após um período de expansão contínua da folha de pagamento. Segundo reportado pela CNBC, a VISA pretende concentrar seus investimentos em pagamentos internacionais, soluções corporativas, expansão geográfica e emissores de ativos virtuais. A iniciativa visa garantir competitividade em um cenário onde tecnologias emergentes representam simultaneamente ameaças de mercado e grandes oportunidades comerciais.

A consolidação das moedas atreladas a moedas fiduciárias no programa de liquidação global da empresa já apresenta números expressivos. Recentemente, a plataforma expandiu o suporte operacional para nove redes blockchain, incluindo ETHEREUM, SOLANA e POLYGON. Esse ecossistema atinge uma taxa anualizada de US$ 7 bilhões em liquidações efetuadas com moedas estáveis, mantendo um crescimento consistente a cada trimestre e permitindo que instituições financeiras fechem obrigações continuamente, durante sete dias por semana.

Além disso, a companhia já contabiliza dezenas de programas de cartões vinculados a ativos digitais em pleno funcionamento ou em fase final de desenvolvimento. A estratégia central consiste em atuar como uma camada de interoperabilidade global entre bancos tradicionais, fintechs e ecossistemas distribuídos. Em vez de confrontar diretamente a expansão das criptomoedas, a empresa busca integrar os ativos programáveis ao seu ecossistema, viabilizando depósitos tokenizados e pagamentos iniciados por agentes digitais de inteligência artificial.

As demissões foram divulgadas em um momento em que os resultados financeiros da companhia ainda demonstram solidez. No período recente, a receita líquida alcançou a marca de US$ 11,2 bilhões, acompanhada por um lucro líquido de US$ 6 bilhões. No entanto, o aumento nos custos com pessoal e campanhas de marketing pressionou as margens operacionais, levando a administração a buscar uma estrutura corporativa enxuta para reinvestir no desenvolvimento de novas soluções financeiras.

“A IA também ajuda a acelerar essa evolução e a moldar a forma como o trabalho é realizado na Visa.”

Essa readequação de quadros reflete um movimento amplo observado em outras gigantes do mercado de tecnologia financeira. A MASTERCARD e a BLOCK também promoveram reduções relevantes em suas equipes nos últimos meses para realocar capital em frentes prioritárias. Analistas do mercado financeiro, como a consultoria EVERCORE ISI, avaliam a medida como um ajuste focado na otimização de margens de lucro, permitindo que a gigante dos cartões lidere a próxima transição tecnológica do comércio global.


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