As criptomoedas estão gradualmente superando sua reputação inicial como um ativo especulativo e ganhando força como um método de pagamento prático em diferentes gerações e regiões.
Uma pesquisa recente realizada pela Bitget Wallet, envolvendo 4.599 usuários de carteiras de criptomoedas, revela padrões em evolução na forma como os ativos digitais são usados para compras cotidianas, bem como transações significativas, refletindo uma crescente maturidade do ecossistema de criptomoedas.
Uma das descobertas mais impressionantes da pesquisa é a alta frequência de gastos diários com criptomoedas entre a Geração Z. Esse grupo demográfico, que geralmente abrange indivíduos nascidos entre o final da década de 1990 e o início da década de 2010, parece ser o mais engajado no uso de moedas digitais para transações rotineiras. Quase 39% dos entrevistados da Geração Z relataram usar criptomoedas para fazer compras no setor de jogos — uma combinação natural, dado seu status de nativos digitais e a ascensão de jogos baseados em blockchain e NFTs.
Além disso, 36% dos usuários da Geração Z gastam criptomoedas em necessidades diárias, como compras de supermercado, entrega de comida e reservas de viagens. Esses números destacam que, para muitos jovens, as criptomoedas não são apenas veículos de investimento, mas moedas funcionais integradas ao seu cotidiano.
Por outro lado, a Geração X — aqueles nascidos entre meados da década de 1960 e o início da década de 1980 — tende a utilizar criptomoedas principalmente para compras de alto valor. Cerca de 40% dos participantes da Geração X afirmaram usar criptomoedas para pagar viagens, produtos digitais e até transações imobiliárias. Essa tendência sugere uma crescente confiança na segurança e na utilidade dos ativos digitais entre consumidores de meia-idade, que podem ter maior renda disponível e buscam diversificar seus instrumentos financeiros. Para esses usuários, as criptomoedas servem tanto como reserva de valor quanto como opção de pagamento conveniente para compras caras e, às vezes, internacionais.
A geração Y, com idades entre 26 e 39 anos, situa-se entre esses dois grupos em termos de padrões de uso. Essa geração se destaca por sua versatilidade com gastos em criptomoedas, realizando transações que vão desde viagens e serviços de assinatura até bens digitais e entretenimento. O uso mais amplo da geração Y reflete seu conforto com a tecnologia e seu papel como pioneiros na adoção de pagamentos digitais, ajudando a diminuir a distância entre as gerações mais jovens e mais velhas.

A crescente aceitação das criptomoedas como método de pagamento é ainda mais facilitada por melhorias na infraestrutura dos comerciantes em todo o mundo.
Jamie Elkaleh, diretor de marketing da Bitget Wallet, destaca que inovações como pagamentos por QR Code para comerciantes menores e integrações de cartão para grandes varejistas aprimoraram significativamente a experiência do usuário. Esses desenvolvimentos permitem que as transações com ativos criptográficos espelhem a conveniência dos métodos de pagamento tradicionais, ao mesmo tempo que permitem que os comerciantes evitem as complexidades associadas às corretoras de criptomoedas. Essa integração perfeita é crucial para a adoção generalizada, pois alinha os pagamentos com criptomoedas aos hábitos familiares dos consumidores, reduzindo o atrito tanto para compradores quanto para vendedores.
As variações regionais no uso de criptomoedas também esclarecem como fatores econômicos e sociais locais influenciam as preferências de pagamento.
O Sudeste Asiático lidera o uso de criptomoedas para jogos e presentes, com 41% dos usuários envolvidos nessas atividades. Isso se alinha à população jovem da região e à alta penetração da internet móvel, que impulsionam a inovação digital. No Leste Asiático, as maiores taxas globais de uso de criptomoedas são observadas em compras diárias e bens digitais, também com 41%, refletindo ecossistemas digitais avançados e uma base de consumidores confortável com transações online.
A África apresenta um caso único em que as criptomoedas desempenham uma função essencial na superação da exclusão financeira. Aproximadamente 38% dos entrevistados africanos usam ativos criptográficos para pagamentos educacionais e transações internacionais, oferecendo uma alternativa crucial aos sistemas bancários tradicionais, frequentemente inacessíveis ou caros. Na América Latina, onde a instabilidade econômica e a desvalorização cambial são preocupações frequentes, 38% dos usuários gastam criptomoedas em produtos digitais e 35% em compras online, usando moedas digitais como proteção contra a incerteza financeira local.
No Oriente Médio, há um forte apetite por gastos de luxo e estilo de vida por meio de criptomoedas. Quase um terço dos entrevistados expressou interesse em comprar produtos de luxo com ativos, enquanto 29% demonstraram interesse em comprar carros. Essa tendência coincide com a crescente adoção institucional na região, exemplificada pelo recente memorando de entendimento da Emirates Airlines com a Crypto.com para integrar o Crypto.com Pay à sua infraestrutura de pagamento — sinalizando crescente confiança e infraestrutura para pagamentos com criptomoedas no setor de luxo.

Em conjunto, essas descobertas indicam que as criptomoedas estão evoluindo para ferramentas financeiras versáteis, adaptadas às necessidades e hábitos de diversos grupos demográficos e regiões geográficas. À medida que a infraestrutura continua a melhorar e a adoção dos comerciantes cresce, espera-se que os ativos digitais se tornem cada vez mais presente no comércio cotidiano, desde pequenas compras diárias até grandes investimentos.
