Em janeiro de 2026, o cofundador do ETHEREUM, Vitalik Buterin, apresentou uma proposta no Ethereum Research Forum que poderia mudar fundamentalmente a forma como os indivíduos protegem a rede. Ele sugeriu a integração da Tecnologia de Validação Distribuída (DVT, na sigla em inglês) diretamente no protocolo principal do ETHEREUM. Esse conceito, frequentemente chamado de DVT nativa, visa resolver uma das maiores preocupações dos validadores independentes: o risco de falhas em um único ponto. O objetivo é tornar o staking menos estressante para o usuário comum.
Atualmente, se o hardware de um validador individual falhar ou se a sua conexão com a internet cair, ele enfrenta penalidades por inatividade. Se ele tentar evitar isso executando um nó de backup com a mesma chave, corre o risco de ser penalizado por dupla assinatura (slashing). A DVT nativa oferece uma solução intermediária que torna o staking mais resiliente e menos estressante para o usuário comum. O sistema elimina o risco de punições por falhas técnicas simples.
A tecnologia funciona dividindo a chave privada de um validador em várias partes que são distribuídas por um cluster de diferentes nós. Em vez de uma única máquina ter o poder de aprovar as transações, um número mínimo de nós precisa concordar para que uma ação seja válida. Buterin explicou que um validador pode ter a garantia de funcionar corretamente desde que mais de dois terços dos nós em seu cluster permaneçam honestos e online. Essa configuração funciona como uma rede de segurança contra quedas de energia. Se um staker executar quatro nós e um falhar, os outros três continuam as funções sem interrupção.
Embora diversos projetos de terceiros, como a SSV NETWORK e a OBOL, já tenham sido pioneiros em DVT (Validação de Participação Direta), Buterin argumentou que essas soluções externas podem ser complexas de configurar. Seu design nativo é notavelmente simples para o usuário final. De acordo com esse plano, um validador poderia criar até 16 identidades virtuais que o blockchain trata como um único grupo. O usuário simplesmente executaria cópias de um nó padrão em máquinas diferentes. Isso elimina a necessidade de middleware complexo que atualmente atua como uma barreira de entrada para participantes menos técnicos.
O momento desta proposta é significativo porque o ETHEREUM está lidando com uma concentração de poder entre alguns grandes provedores de staking. No início de 2026, relatórios indicavam que quase metade de todo o Ether em staking era controlado por apenas cinco grandes entidades. Essa centralização cria riscos sistêmicos, já que uma única falha ou uma ação regulatória contra um desses gigantes poderia ameaçar a estabilidade de toda a rede. O DVT nativo incentiva a migração das exchanges para a custódia própria. Essa mudança melhoraria diretamente o coeficiente de Nakamoto, métrica fundamental para medir a descentralização real.
Instituições preocupadas com segurança também se beneficiariam dessa mudança arquitetônica. Atualmente, grandes participantes de staking frequentemente constroem sistemas de failover caros e altamente personalizados para proteger seus ativos. O DVT nativo permitiria que eles alcançassem tolerância a falhas superior usando ferramentas padrão integradas diretamente à camada de consenso do ETHEREUM. O design adiciona apenas uma rodada mínima de latência ao processo. Essa pequena perda de velocidade é vista como um preço que vale a pena pelos ganhos massivos em resiliência da rede e pela redução dos riscos criptográficos a longo prazo.
“O design foi concebido para ser altamente eficiente, adicionando apenas uma rodada de latência ao processo de produção de blocos.”
Essa pequena perda de velocidade é vista como um preço que vale a pena pelos ganhos massivos em resiliência da rede e pela redução dos riscos criptográficos a longo prazo. A proposta serve como defesa contra ameaças geopolíticas e técnicas sofisticadas. Ao permitir que um validador distribua nós entre diferentes provedores de nuvem, tipos de hardware e países, torna-se muito mais difícil para um único ponto de falha derrubar a rede.
Além da simples disponibilidade, a proposta também serve como defesa contra ameaças mais sofisticadas. Ao permitir que um validador distribua nós entre diferentes provedores de nuvem, tipos de hardware e países, torna-se muito mais difícil para um único ponto de falha derrubar uma parte significativa da rede. Essa diversidade geográfica e técnica é essencial para proteger o ETHEREUM contra interrupções regionais da internet ou ataques direcionados. O futuro do Ethereum depende de tornar o validador acessível a todos. A mensagem subjacente é clara: a rede deve ser operável por pessoas, não apenas por infraestruturas profissionais.


