Mesmo com o avanço da regulação, grande parte dos investidores em criptomoedas ainda não entende corretamente quando deve pagar impostos. Um levantamento recente da COINBASE em parceria com a CoinTracker revelou que menos da metade dos usuários consegue identificar o momento exato em que uma transação se torna tributável. A desinformação fiscal continua sendo um dos maiores desafios do setor. O estudo ouviu 3.000 usuários nos Estados Unidos, em preparação para a temporada de declaração de 2025.
Os dados mostram que apenas 49% dos entrevistados sabem que o imposto incide quando há venda ou realização de lucro. Em contraste, cerca de um quarto acredita, de forma equivocada, que simples transferências entre carteiras já geram obrigação tributária. Erros básicos ainda são comuns entre investidores. Esse cenário evidencia uma lacuna significativa de educação financeira dentro do universo cripto.

Apesar das dificuldades, o estudo indica que a maioria dos investidores demonstra intenção de cumprir as regras. Cerca de 74% afirmam saber que criptomoedas são tributáveis, e 65% dizem já ter declarado suas operações anteriormente. A disposição para cumprir existe, mas falta clareza. O relatório destaca que isso contraria a percepção de evasão generalizada frequentemente associada ao setor.
Um dos principais obstáculos está na própria estrutura do mercado. Investidores costumam operar em múltiplas plataformas ao mesmo tempo, com uma média de 2,5 carteiras ou exchanges por usuário. Além disso, 83% utilizam autocustódia, o que dificulta o rastreamento de operações. A fragmentação complica o cálculo de ganhos e perdas. Esse fator torna mais difícil determinar o chamado cost basis, essencial para apuração correta de impostos.

A complexidade tende a aumentar com novas exigências regulatórias. A partir do ano fiscal de 2025, corretoras deverão emitir o formulário 1099-DA, que reporta transações, mas não inclui o custo de aquisição dos ativos. Isso significa que os próprios investidores terão que consolidar dados de diferentes plataformas manualmente. A responsabilidade fiscal recai cada vez mais sobre o usuário.
Esse modelo tem sido alvo de críticas. Especialistas apontam que a ausência de padronização entre plataformas dificulta a transparência e aumenta o risco de erros. De acordo com o IRS (Internal Revenue Service), a falta de consistência nos registros pode levar a declarações incorretas e penalidades. O risco de inconsistência fiscal é real.
Mesmo diante desse cenário, a maioria dos usuários ainda recorre a ferramentas tradicionais. Cerca de 78% utilizam softwares genéricos de declaração, enquanto 52% contam com contadores. Apenas 8% adotam soluções específicas para criptoativos. O mercado ainda não adotou ferramentas especializadas em larga escala.
Por outro lado, cresce o interesse por inteligência artificial como alternativa. Quase metade dos entrevistados afirmou que utilizaria IA para calcular impostos, e 30% considerariam confiar totalmente nesse tipo de tecnologia para o processo. A automação pode se tornar a próxima fronteira da contabilidade cripto. Relatórios da DELOITTE indicam que IA aplicada a compliance fiscal pode reduzir erros e custos operacionais significativamente.
O ambiente regulatório também está evoluindo. O IRS propôs recentemente regras que obrigam a entrega digital de documentos fiscais por parte das exchanges, eliminando a opção de envio em papel. Além disso, usuários não poderão revogar consentimento após optarem pelo formato eletrônico. A digitalização do sistema tributário avança rapidamente.
Mesmo com avanços, o desafio permanece: alinhar inovação tecnológica com obrigações fiscais claras e acessíveis. A falta de compreensão pode limitar a adoção mais ampla de criptomoedas, especialmente entre investidores menos experientes. Sem clareza tributária, o crescimento do setor pode desacelerar.
