O mercado de Bitcoin atravessa um momento de incerteza, com sinais divergentes entre especialistas e investidores. O veterano trader Peter Brandt acredita que a criptomoeda não deve atingir um novo recorde de preço antes de 2027. O otimismo deu lugar a uma cautela generalizada. Segundo ele, apesar de reconhecer o caráter especulativo de previsões, o cenário atual não aponta para uma recuperação rápida.
A visão de Brandt encontra eco em dados de mercado. Na plataforma de previsões Polymarket, investidores atribuem apenas 15% de probabilidade de o Bitcoin voltar à faixa de US$ 120 mil ainda em 2026. O sentimento do mercado está claramente mais pessimista. Essa percepção reflete não apenas o comportamento recente do ativo, mas também um contexto macroeconômico mais desafiador.

Atualmente, o Bitcoin é negociado em torno de US$ 66 mil, acumulando queda de aproximadamente 47% em relação ao seu pico histórico de US$ 126.100 registrado em outubro. A distância do topo ainda é significativa. Dados da COINMARKETCAP mostram que a criptomoeda também recuou nos últimos dias, indicando fraqueza no curto prazo.
Esse desempenho reacende o debate sobre o chamado ciclo de quatro anos, teoria amplamente difundida no mercado cripto. Segundo esse modelo, períodos de forte valorização são seguidos por fases de correção e consolidação. O ciclo pode estar entrando em sua fase mais fraca. Alguns analistas argumentam, no entanto, que o aumento da participação institucional pode alterar esse padrão histórico.
Brandt acredita que o preço ainda pode cair mais antes de iniciar uma nova tendência de alta. Ele não descarta um retorno a níveis observados no fim de 2025, o que poderia marcar o fundo do atual ciclo de baixa. Uma nova queda não está fora do radar.
“Isso provavelmente marcaria o fundo do ciclo de baixa, abrindo caminho para um novo ciclo de alta.”
Outros analistas compartilham uma leitura semelhante. Willy Woo afirmou que, do ponto de vista de liquidez, o mercado está apenas no primeiro terço do ciclo de baixa. A correção pode ainda ter espaço para continuar. Já Anthony Scaramucci, da SKYBRIDGE, reforçou a tese de que o comportamento dos investidores acaba reforçando o próprio ciclo, criando um efeito de profecia autorrealizável.

O cenário é agravado por sinais negativos no fluxo de capital. Os ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas líquidas de aproximadamente US$ 296 milhões após semanas consecutivas de entradas. A retirada de capital institucional pressiona o mercado. Esse movimento sugere uma redução no apetite por risco, especialmente em um ambiente global incerto.
Indicadores de sentimento também refletem esse clima. O índice Crypto Fear & Greed, amplamente utilizado para medir o humor do mercado, tem permanecido em níveis de “medo extremo” desde março, com pontuação próxima de 8. O medo voltou a dominar o comportamento dos investidores.
Fatores externos ajudam a explicar essa cautela. Tensões geopolíticas, inflação persistente e incertezas sobre política monetária têm impactado ativos de risco em geral. Segundo o FEDERAL RESERVE, períodos de juros elevados tendem a reduzir a liquidez global, afetando diretamente mercados como o de criptomoedas. O Bitcoin continua sensível ao ambiente macroeconômico.
Apesar do cenário mais conservador, nem todos compartilham dessa visão. Tom Lee, da FUNDSTRAT, mantém expectativa de que o Bitcoin ainda possa alcançar um novo topo histórico no curto prazo, embora reconheça a possibilidade de quedas antes disso. O mercado segue dividido entre cautela e otimismo.
No longo prazo, a narrativa do Bitcoin como reserva de valor permanece intacta para muitos investidores. No entanto, o caminho até novos recordes pode ser mais lento e turbulento do que o esperado. O próximo ciclo de alta pode exigir mais paciência do mercado.
