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Computação quântica pode quebrar criptografia mais rápido do que o esperado

Computação quântica pode quebrar criptografia mais rápido do que o esperado

Um novo estudo conduzido por pesquisadores do GOOGLE reacendeu o debate sobre a segurança das criptomoedas diante do avanço da computação quântica. Segundo o relatório, seria possível quebrar os sistemas criptográficos que sustentam redes como BITCOIN e ETHEREUM com menos recursos do que estimativas anteriores indicavam. A ameaça quântica pode estar mais próxima do que o mercado imaginava.

A pesquisa aponta que um computador quântico com menos de 500 mil qubits físicos já poderia comprometer a segurança baseada no problema do logaritmo discreto em curvas elípticas (ECDLP-256), amplamente utilizado nas blockchains. O dado representa uma redução de cerca de 20 vezes na quantidade de qubits necessária em relação a estudos anteriores. O salto tecnológico reduz significativamente a barreira para ataques. Um qubit é a unidade básica de informação em sistemas quânticos, equivalente ao bit na computação tradicional.

Um dos cenários mais preocupantes envolve a chamada on-spend attack. Nesse modelo, um atacante quântico conseguiria derivar a chave privada a partir da chave pública exposta durante uma transação. O tempo de ataque pode caber dentro de um único bloco do Bitcoin. Os pesquisadores estimam que esse processo poderia levar entre 9 e 12 minutos, o que coincide com o tempo médio de validação de blocos na rede.

“Estimamos que o tempo necessário para executar um ataque desse tipo seja de aproximadamente 9 a 12 minutos após a exposição da chave pública.”

(Gráfico mostrando o risco de um ataque quântico durante o gasto, que leva 9 minutos para derivar uma chave privada, ser bem-sucedido contra o Bitcoin.)

Além disso, o estudo destaca um risco estrutural no ETHEREUM. Diferentemente do modelo do Bitcoin, contas nessa rede expõem permanentemente suas chaves públicas após a primeira transação. Isso abre espaço para ataques chamados at-rest, nos quais o invasor pode levar o tempo que quiser para quebrar a chave privada. No Ethereum, o risco não depende de timing. Segundo os pesquisadores, esse tipo de vulnerabilidade não pode ser mitigado apenas por comportamento do usuário.

A escala do problema também chama atenção. O relatório estima que os mil endereços mais ricos da rede ETHEREUM, que juntos detêm cerca de 20,5 milhões de ETH, poderiam ser comprometidos em menos de nove dias em um cenário com capacidade quântica suficiente. Grandes detentores seriam alvos prioritários. Esse risco sistêmico levanta preocupações sobre estabilidade financeira dentro do ecossistema cripto.

A preocupação não é apenas teórica. Justin Drake, pesquisador do ETHEREUM e coautor do estudo, afirmou que a probabilidade de um “Q-Day” — momento em que computadores quânticos conseguem quebrar criptografia atual — até 2032 pode chegar a 10%. O relógio da segurança digital pode já estar correndo.

Diante desse cenário, o GOOGLE recomendou que a indústria comece imediatamente a migrar para sistemas de criptografia pós-quântica (post-quantum cryptography, ou PQC). A empresa também estabeleceu internamente 2029 como prazo para iniciar essa transição em seus próprios sistemas. A corrida por segurança pós-quântica já começou.

O debate já mobiliza líderes do setor. Vitalik Buterin, cofundador do ETHEREUM, defendeu mudanças estruturais que incluem assinaturas de validadores, armazenamento de dados e provas criptográficas. A adaptação exigirá mudanças profundas na arquitetura das redes.

Enquanto isso, críticas surgem sobre a velocidade de resposta das diferentes comunidades. O investidor Nic Carter afirmou que a criptografia atual baseada em curvas elípticas está próxima da obsolescência e que algumas redes ainda não tratam o tema com a urgência necessária. Nem todos estão igualmente preparados para a transição.

Apesar de ainda não existir um computador quântico com essa capacidade, especialistas alertam que o desenvolvimento tecnológico pode avançar de forma não linear. Relatórios do NIST indicam que padrões de criptografia pós-quântica já estão em fase final de padronização, reforçando a necessidade de preparação antecipada. Esperar pode não ser uma opção segura.

A pesquisa do GOOGLE funciona como um alerta estratégico para toda a indústria. A segurança das criptomoedas, até então considerada robusta, pode precisar ser redesenhada antes que a ameaça se torne realidade. A próxima grande crise do setor pode vir da física, não do mercado.


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