Uma nova rodada de pesquisas conduzida pela COINSHARES revela que o sentimento dos investidores institucionais em relação aos ativos digitais entrou em uma fase de recuperação sustentada. O estudo, realizado com 26 gestores que administram um patrimônio combinado de US$ 1,3 trilhão, aponta que o Bitcoin permanece como a escolha preferida para exposição ao setor. As alocações iniciais em criptoativos giram em torno de 1% do portfólio total. Esse percentual, embora pareça modesto, é classificado pela COINSHARES como um tamanho de entrada estratégico em um cenário global de redução de riscos, indicando que as instituições estão testando as águas antes de movimentos mais agressivos.
“O Bitcoin continua sendo o ativo digital com a perspectiva de crescimento mais atraente.”
A hegemonia da maior criptomoeda do mundo é clara nos números: cerca de 32% dos entrevistados já possuem exposição direta ao Bitcoin, enquanto 25% optaram pelo Ether. Segundo James Butterfill, chefe de pesquisa da COINSHARES, embora o otimismo em relação a redes como SOLANA e ETHEREUM tenha crescido, o foco institucional está migrando de protocolos antigos para novas soluções de finanças descentralizadas. Barreiras regulatórias e restrições internas ainda limitam uma adoção massiva imediata. No entanto, a melhora na percepção de risco e a clareza nas diretrizes de conformidade estão pavimentando o caminho para que mais capital flua para o setor nos próximos meses.

O otimismo captado nos questionários já se traduz em números reais de mercado. Dados recentes mostram que os produtos de investimento em criptoativos registraram várias semanas consecutivas de entradas líquidas, acumulando US$ 3,9 bilhões em um curto período. Os ETFs de Bitcoin atraíram US$ 1,2 bilhão em aportes até o final de abril. Esse momentum não deu sinais de fadiga em maio, com os fundos negociados em bolsa nos Estados Unidos captando quase US$ 1 bilhão adicional na mesma semana em que a cotação do ativo rompeu novamente a barreira dos US$ 80 mil, reforçando a tese de que o capital profissional está impulsionando o atual rali.

A mudança de postura das instituições é corroborada por uma análise conjunta entre COINBASE e EY-PARTHENON, que indica que 73% dos investidores planejam aumentar suas posições em ativos digitais ainda este ano. A expectativa predominante é de que os preços continuem em trajetória ascendente nos próximos 12 meses, impulsionados pela escassez e pela integração financeira. A maioria dos investidores institucionais projeta um cenário de alta para o próximo ano. Esse consenso reflete uma transição de mentalidade, onde o risco de não estar exposto ao setor começa a pesar tanto quanto o risco da volatilidade inerente aos ativos.
O lançamento dos ETFs à vista em janeiro de 2024 é citado quase unanimemente como o grande divisor de águas para esta nova fase. Ao oferecer uma estrutura regulada e familiar, esses veículos eliminaram os complexos desafios de custódia direta e segurança cibernética que antes afastavam os grandes fundos. A estrutura dos ETFs reduziu significativamente os obstáculos operacionais para Wall Street. Agora, com a infraestrutura consolidada, o foco dos gestores se volta para a otimização tributária e a inclusão desses ativos em modelos de alocação de risco multiclidionais, tratando o Bitcoin não mais como uma aposta exótica, mas como uma classe de ativos legítima e indispensável.


