A gigante TETHER, emissora da maior stablecoin do mercado, move uma ação judicial em São Paulo para recuperar R$ 1,6 bilhão do conglomerado ligado ao BANCO MASTER. O conflito jurídico surge após um empréstimo de US$ 300 milhões concedido à TITAN HOLDING, braço de investimentos do empresário Daniel Vorcaro. A disputa evidencia os riscos de crédito em operações entre o setor cripto e bancos tradicionais. O contrato previa a devolução do capital em 12 meses, mas a liquidação da instituição financeira pelo BANCO CENTRAL acelerou a cobrança judicial dos valores devidos.
“A TETHER acionou cláusulas de vencimento antecipado e decidiu recorrer ao Judiciário para recuperar os valores.”
O aporte de capital ocorreu em março de 2025, período em que o BANCO DE BRASÍLIA (BRB) tentava adquirir o BANCO MASTER. Contudo, a deterioração financeira da instituição disparou gatilhos contratuais de proteção que permitiam à TETHER exigir o pagamento imediato. O rebaixamento da nota de crédito pela FITCH RATINGS foi o primeiro alerta para o mercado. Em setembro, a agência reduziu o rating do banco, ativando a cláusula de vencimento antecipado antes mesmo da intervenção definitiva da autoridade monetária, que ocorreu dois meses depois.
A situação do controlador do banco agrava o cenário jurídico e reputacional da operação. Daniel Vorcaro é alvo de investigações da Polícia Federal por gestão fraudulenta e suspeitas de irregularidades na venda de títulos podres ao BRB. O empresário foi preso preventivamente em meio às apurações sobre desvios bilionários. Embora Vorcaro seja a figura central, o processo cita diretores da TITAN HOLDING e empresas de participações como devedoras solidárias, buscando atingir o patrimônio do grupo econômico para quitar o débito acumulado com juros e encargos.
Para mitigar perdas, a TETHER exige o acesso a garantias sólidas oferecidas no momento do contrato, como as receitas da carteira de crédito consignado. O ativo principal nessa disputa é o CREDCESTA, linha de crédito voltada a servidores e aposentados que deveria lastrear o pagamento. A Justiça analisa o bloqueio direto de recebíveis das carteiras de consignado. A estratégia da credora é isolar esses ativos financeiros antes que sejam consumidos pela massa liquidante do banco, garantindo que o financiamento concedido de boa-fé seja honrado.
“A companhia afirmou que concedeu o financiamento de boa-fé e não havia sinais públicos de irregularidades.”
Em sua defesa, a TETHER ressalta que os recursos provêm da TETHER INVESTMENTS, o braço de gestão de capital do grupo. A empresa enfatiza que o empréstimo não possui ligação direta com as reservas que garantem a paridade do token USDT. A separação entre reservas e investimentos busca tranquilizar o mercado global de criptoativos. Enquanto a batalha judicial avança em São Paulo, o caso serve de alerta para a necessidade de auditorias ainda mais rigorosas em parcerias que cruzam a fronteira entre as finanças descentralizadas e o sistema bancário convencional.


