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Inflação dos EUA acima de 4% pode pressionar Bitcoin e ouro

Inflação dos EUA acima de 4% pode pressionar Bitcoin e ouro

O cenário macroeconômico global impôs uma nova barreira técnica para os mercados de capitais e de proteção patrimonial. A inflação dos EUA frustrou as expectativas de alívio monetário. Com o Índice de Preços ao Consumidor acumulando uma alta de 4,2% no período de doze meses encerrado em maio, o banco central dos Estados Unidos viu ruir as projeções de cortes iminentes nas taxas de juros, flertando inclusive com a necessidade de novos apertos contracionistas.

A persistência do processo inflacionário murchou o entusiasmo que costuma sustentar as aplicações financeiras de maior volatilidade. Os juros elevados drenam a liquidez dos ativos de risco. Como o indicador oficial baliza as decisões de política monetária do Federal Reserve, a leitura de resiliência nos preços de bens e serviços funciona como um freio de mão puxado para a economia, forçando os grandes fundos internacionais a buscarem abrigo na rentabilidade garantida dos títulos públicos americanos.

Essa conjuntura doméstica desfavorável acentuou o movimento de correção técnica que já vinha castigando as principais teses de investimento alternativo desde o início do ano. O Bitcoin acumulou uma desvalorização expressiva de 36%. Paralelamente, o ouro recuou 23% em relação aos seus tetos históricos recentes, demonstrando que mesmo as defesas tradicionais sofrem quando o custo de oportunidade do dinheiro permanece nas alturas, enquanto o petróleo bruto disparou mais de 50% sob o impacto de choques geopolíticos na cadeia de suprimentos.

“O resultado do IPC de hoje, em linha com as expectativas, mantém o Fed cauteloso, dependente de dados e sem pressa para cortar as taxas de juros.”

Para os estrategistas de balcão da área institucional, a ausência de um vetor claro de relaxamento monetário mantém o mercado de moedas digitais sob forte pressão vendedora. Iggy Ioppe, diretor de investimentos da firma de negociação THEO, aponta que o investidor corporativo está operando de forma reativa, ajustando posições técnicas e reduzindo a exposição a derivatividades. Os rendimentos reais elevados penalizam os ativos sem fluxo de caixa. Sem a perspectiva de cortes na taxa básica, carregar posições em ouro ou ativos digitais gera um custo operacional alto para as grandes tesourarias.

Essa percepção de fragilidade conjuntural é compartilhada pelos braços de análise de mercado financeiro em Wall Street. Markus Thielen, analista sênior da 10X RESEARCH, sinaliza que a comunidade institucional exige sinais consistentes de desinflação antes de assinar novos cheques de alocação de capital em direção às criptomoedas. A proximidade de suporte técnico do Bitcoin aciona travas de alerta. O especialista adverte que a escalada de conflitos militares envolvendo o Irã pode encarecer ainda mais os combustíveis fósseis no meio do ano, empurrando as cotações do Bitcoin para patamares inferiores aos US$ 60 mil.

Apesar do pessimismo generalizado que tomou conta das mesas de operação, as chances de uma guinada ainda mais agressiva por parte da autoridade monetária continuam sendo consideradas marginais. As projeções indicam estabilidade temporária nas taxas de juros. Pesquisadores do HASHKEY GROUP observam que, embora o apetite por ativos de risco dependa estritamente da melhora de liquidez global, o cenário base aponta para a manutenção das bandas atuais de juros nas próximas deliberações oficiais, uma vez que o comitê prefere observar o efeito defasado do aperto anterior sobre o consumo de varejo.

“Somente quando a inflação cair, os cortes nas taxas de juros se tornarem viáveis e a liquidez melhorar juntamente com custos de capital mais baixos, é que o apetite geral pelo risco realmente se inverterá.”


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