O mercado global de stablecoins movimentou volumes astronômicos em cadeias descentralizadas recentemente, mas a utilização para pagamentos efetivos representa apenas uma fração minúscula desse total. Um levantamento conduzido pela MCKINSEY em parceria com a ARTEMIS ANALYTICS revelou que, das dezenas de trilhões de dólares transacionados em blockchains por ano, apenas cerca de um por cento corresponde à compra de bens, liquidação de contratos ou envio de remessas. Esse resultado evidencia a grande discrepância entre a atividade bruta das redes e a adoção no comércio do dia a dia.
A distorção nos números ocorre porque operadores institucionais executam transações internas de forma massiva para viabilizar serviços de custódia, provisão de liquidez e estratégias automatizadas de arbitragem. Empresas como corretoras e formadores de mercado movimentam rotineiramente somas elevadas entre suas próprias carteiras e contratos inteligentes, multiplicando os dados registrados no livro-razão público sem que haja qualquer transação comercial subjacente. Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que essas operações técnicas são legítimas e cruciais para garantir a eficiência operacional do setor financeiro descentralizado.
Para mapear a economia real, pesquisadores filtraram transações automatizadas e focaram em pagamentos entre companhias, soluções de tesouraria, cartões de débito convertíveis e transferências transfronteiriças. A consolidação dos dados apontou que os pagamentos corporativos entre empresas formam a principal aplicação prática dessas moedas pareadas, movimentando mais de duzentos bilhões de dólares ao longo de um ano. Pequenas e médias companhias lideram o uso da tecnologia devido à busca por custos menores e liquidação imediata em comparação com os canais bancários tradicionais.
A expansão de cartões integrados a criptoativos também registrou um crescimento expressivo, permitindo que consumidores gastem saldos digitais diretamente nos terminais de pagamento convencionais através de conversões instantâneas para moeda fiduciária. Do ponto de vista geográfico, a atividade econômica em moedas estáveis apresentou forte concentração na Ásia, liderada por praças financeiras como Singapura, Hong Kong e Japão, acompanhada pela América do Norte e pela Europa. Em contrapartida, regiões emergentes como América Latina e África registraram volumes consolidados bastante modestos dentro dessa metodologia.
Especialistas da infraestrutura de liquidação internacional observam que esses ativos digitais funcionam invisivelmente como uma camada intermediária de compensação em transferências transfronteiriças. Emissores de moedas estáveis, como a AVENIA, destacam que soluções modernas já permitem a usuários sul-americanos realizar pagamentos instantâneos entre países vizinhos via PIX, sem a necessidade de contas bancárias locais ou trâmites burocráticos. Nesses cenários, a conversão ocorre em segundos nos bastidores, oferecendo uma experiência fluida para o cliente final na ponta pagadora e recebedora.
Analistas de mercado preveem que a consolidação de marcos regulatórios no ecossistema global trará maior previsibilidade institucional para que bancos e multinacionais incorporem essa infraestrutura aos seus fluxos de caixa. Diretrizes mais claras sobre auditorias de reservas, transparência e supervisão governamental tendem a acelerar essa migração da tecnologia do ambiente puramente especulativo para o sistema financeiro tradicional. A expectativa para os próximos trimestres é de um avanço ainda mais expressivo na tesouraria corporativa e na integração entre trilhos de pagamentos locais e internacionais.


