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Estados Unidos, Israel e Irã e o futuro das finanças

Estados Unidos, Israel e Irã e o futuro das finanças

A migração das finanças tradicionais para infraestrutura baseada em blockchain pode ocorrer muito antes do que especialistas imaginavam. A avaliação é de Matt Hougan, diretor de investimentos da BITWISE ASSET MANAGEMENT, que afirma ter revisado drasticamente suas projeções sobre a velocidade dessa transformação após um episódio recente envolvendo mercados globais. O choque geopolítico revelou uma mudança estrutural silenciosa.

Segundo Hougan, o evento que mudou sua percepção ocorreu durante os ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Enquanto bolsas tradicionais permaneciam fechadas durante o fim de semana, investidores recorreram a plataformas cripto para negociar ativos tokenizados e reagir às notícias em tempo real.

Para ele, a experiência demonstrou na prática que sistemas financeiros baseados em blockchain operam em uma lógica completamente diferente da infraestrutura tradicional.

“Para a maior parte do domingo, as finanças on-chain foram o centro do mundo financeiro.”

O episódio ocorreu em um momento em que os principais mercados globais estavam inativos. Bolsas na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia estavam fechadas quando os primeiros ataques foram reportados, por volta de 3h30 UTC no sábado.

Nesse intervalo, investidores buscaram alternativas para reagir às notícias e ajustar posições. Foi nesse cenário que a plataforma de derivativos cripto HYPERLIQUID se transformou no principal ponto de liquidez para negociação de ativos tokenizados ligados ao mundo real, como petróleo bruto e ouro digital. A liquidez migrou para onde o mercado estava aberto.

Em uma publicação intitulada “O fim de semana que mudou as finanças”, Hougan explicou que sua expectativa anterior era de que a transição para finanças on-chain levaria entre cinco e dez anos. Após o episódio, ele acredita que esse cronograma pode ser significativamente mais curto.

“Esse fim de semana provou que eu estava errado.”

Segundo ele, os trilhos financeiros baseados em blockchain oferecem algo que os mercados tradicionais ainda não conseguem reproduzir: negociação contínua e liquidação quase imediata.

“Agora estou convencido de que isso vai acontecer muito mais rápido.”

O sistema financeiro tradicional começa a parecer lento. Hougan argumenta que a possibilidade de negociar ativos 24 horas por dia, sete dias por semana, torna obsoletos modelos tradicionais de liquidação como o sistema T+1 — em que a compensação de uma transação ocorre no dia seguinte.

Dados divulgados pela própria plataforma mostram que a HYPERLIQUID registrou mais de US$ 11,5 bilhões em volume de negociação ao longo daquele fim de semana, um número expressivo considerando que grande parte dos mercados globais estava fechada.

A relevância desses preços chegou ao ponto de influenciar cobertura da imprensa financeira. Segundo Hougan, quando a BLOOMBERG buscou referências para analisar a reação do petróleo ao ataque militar, utilizou o contrato de petróleo negociado na HYPERLIQUID como indicador mais imediato de preço. Os preços começaram a surgir primeiro na blockchain.

Outros ativos digitais também apresentaram forte movimentação. O token lastreado em ouro TETHER GOLD (XAUt), emitido pela empresa TETHER, registrou mais de US$ 300 milhões em volume de negociação em apenas 24 horas.

Mercados de previsão também experimentaram aumento significativo de atividade. Plataformas como KALSHI e POLYMARKET viram crescimento expressivo no volume de apostas relacionadas aos desdobramentos geopolíticos.

Esses dados reforçam uma tendência crescente: a tokenização de ativos do mundo real — conhecidos como real-world assets (RWA) — está ampliando o alcance das plataformas cripto além das criptomoedas tradicionais. O mercado financeiro começa a operar sem horários. O avanço dessa infraestrutura não está limitado ao universo cripto. Instituições tradicionais também começam a experimentar modelos semelhantes.

Em janeiro, a NEW YORK STOCK EXCHANGE e sua controladora INTERCONTINENTAL EXCHANGE anunciaram planos para implementar negociação 24 horas por dia e liquidação instantânea de ações e fundos negociados em bolsa utilizando um sistema pós-negociação baseado em blockchain. A proposta prevê suporte multichain e soluções de custódia digital, sinalizando que a infraestrutura tradicional também começa a explorar tecnologia distribuída.

Apesar disso, as empresas ainda não divulgaram cronograma de lançamento nem detalhes sobre qual blockchain será utilizada ou se o sistema funcionará em ambiente permissionless ou permissioned. A modernização institucional ainda avança em ritmo cauteloso.

Enquanto isso, investidores institucionais já começam a se adaptar ao novo ambiente competitivo. Segundo Hougan, fundos hedge, bancos e traders profissionais que desejam reagir rapidamente a eventos globais precisam aprender a operar em mercados on-chain. Na prática, isso significa criar carteiras de stablecoins e utilizar plataformas de derivativos cripto para executar negociações fora do horário das bolsas tradicionais.

O episódio do fim de semana, para Hougan, demonstrou que a infraestrutura financeira global pode estar entrando em uma nova fase — uma em que mercados não dependem mais de horários de funcionamento ou sistemas centralizados de compensação. A revolução pode não acontecer em dez anos — pode já ter começado.


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