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Estados Unidos proibirá as CBDCs?

Estados Unidos proibirá as CBDCs

O debate em torno do controle financeiro digital nos Estados Unidos atingiu um ponto de inflexão política no Capitólio. A Câmara dos Representantes aprovou com ampla maioria um robusto pacote bipartidário voltado ao mercado imobiliário que traz, anexada às suas centenas de páginas, uma restrição histórica à autoridade monetária do país. O texto proíbe expressamente o Federal Reserve de emitir ou criar uma moeda digital de banco central (CBDC) até o término de 2030, impondo uma barreira temporária contra o chamado “dólar digital” estatal.

A manobra política ganhou tração ao ser inserida na lei habitacional conhecida como 21st Century ROAD to Housing Act, desenhada originalmente para mitigar a crise de acessibilidade de moradias e impor limites a fundos institucionais que compram residências unifamiliares. Como os projetos independentes que visavam proibir as CBDCs sofriam resistência para avançar de forma isolada, os parlamentares optaram por embutir a cláusula na legislação habitacional de alta prioridade. O texto segue agora para a mesa presidencial, onde a expectativa de sanção é total por parte do governo.

A aprovação do veto temporário foi celebrada por frentes conservadoras e por defensores do ecossistema de finanças descentralizadas. Os críticos das moedas emitidas por bancos centrais argumentam que essas estruturas representam um risco severo de vigilância estatal, permitindo o rastreamento minucioso e o bloqueio centralizado de transações individuais dos cidadãos. Para a comunidade cripto, a medida protege a inovação, impedindo que o Estado use a infraestrutura criada para ativos abertos para consolidar um monopólio financeiro centralizado.

A grande vitória prática do setor privado, contudo, reside nas exceções detalhadas no escopo da própria lei. O texto barra o desenvolvimento público, mas protege e exclui de qualquer proibição as moedas estáveis de emissão privada, desde que operem sob estruturas abertas e sem necessidade de permissão (permissionless). A blindagem jurídica confere um forte tailwind (vento a favor) para o mercado de stablecoins privadas denominadas em dólar, assegurando que o setor continue expandindo suas soluções globais de liquidez nos próximos quatro anos.

“Hoje, o Congresso conquistou uma grande vitória para as famílias que lutam pelo sonho americano. Aguardo com expectativa a assinatura da lei.”

Com a pauta habitacional e o veto às CBDCs encaminhados para a sanção executiva, as comissões parlamentares no Senado começam a limpar a agenda legislativa para se concentrarem nas discussões que definirão o arcabouço definitivo das criptomoedas. A atenção do mercado se desloca para o CLARITY Act, o projeto de lei focado na estrutura e na classificação jurídica de ativos digitais que vem sendo intensamente negociado entre lobistas do setor bancário e legisladores nas últimas semanas.

Apesar do forte interesse do setor, o calendário apertado do Congresso antes do recesso e das eleições de meio de mandato (midterms) reduziu a probabilidade de aprovação da estrutura regulatória ainda este ano. Relatórios de agências de análise de risco rebaixaram as chances de um desfecho positivo antes do fechamento do ciclo anual, indicando que, embora as stablecoins tenham garantido seu espaço de crescimento até 2030, as regras definitivas do jogo de mercado ainda enfrentarão intensas disputas de bastidores em Washington.


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