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Projeto de lei regulamenta tokenização no Brasil

Projeto de lei regulamenta tokenização no Brasil

O cenário regulatório para o ecossistema de ativos virtuais no Brasil pode passar por transformações profundas a partir de uma nova proposta legislativa apresentada no Congresso Nacional. O senador EDUARDO BRAGA, representante do MDB-AM, protocolou um Projeto de Lei para estabelecer regras gerais de atuação para fintechs e serviços de tecnologia financeira. A iniciativa inclui expressamente a tokenização entre as atividades permitidas, estabelecendo diretrizes claras para o setor.

A proposta legislativa reforça que a transformação de bens físicos, direitos creditórios ou fluxos econômicos em representações digitais em blockchain não altera a essência jurídica das operações. O texto do PL estipula que a utilização de registros distribuídos e contratos inteligentes não afasta o cumprimento de deveres regulatórios fundamentais. A neutralidade tecnológica assegura a manutenção de exigências de transparência.

No texto oficial do PL consultado pelo portal de notícias COINTELEGRAPH BRASIL, o projeto de lei explicita que a aplicação de novas tecnologias de programabilidade não cria exceções à legislação vigente.

“A tokenização de ativos, direitos ou fluxos econômicos, bem como o uso de registro distribuído, contratos inteligentes ou moeda digital, não afasta o cumprimento das obrigações essenciais de transparência, adequação do produto e prevenção a fraudes previstas na regulamentação.”

Entre os pilares mais relevantes contidos na proposta do senador EDUARDO BRAGA, do MDB-AM, destaca-se a consolidação de princípios de regulação por atividade e por risco no sistema financeiro. O texto adota a premissa de que atividades idênticas sujeitas aos mesmos riscos devem responder por exigências equivalentes perante os órgãos de fiscalização. A proporcionalidade regulatória visa criar um ambiente competitivo justo.

O documento apresentado no Senado Federal ressalta que a inovação tecnológica não deve ser utilizada como subterfúgio para contornar exigências legais e regras de integridade de mercado no país.

“Tokenizar um ativo, utilizar contratos inteligentes ou operar em infraestrutura de moeda digital não altera a natureza econômica da operação e mantém os deveres legais aplicáveis.”

Outro avanço expressivo contemplado no texto diz respeito ao incentivo e à expansão de ambientes regulatórios experimentais, conhecidos internacionalmente como sandboxes. A proposta autoriza as autoridades competentes a instituir programas de testes controlados com critérios públicos de admissão, acompanhamento e avaliação de resultados. A medida reduz os custos de entrada para novas empresas.

A regulamentação do sandbox prevê mecanismos de transição ordenados para os participantes ao término do período de avaliação experimental na infraestrutura. As empresas participantes poderão obter autorizações definitivas, registros simplificados ou realizar o encerramento planejado das atividades sem gerar prejuízos aos clientes. A estrutura temporária evita a criação de exceções permanentes.

A iniciativa do parlamentar do MDB também dedica atenção especial ao compartilhamento seguro e ao tratamento de dados financeiros associados a novas arquiteturas digitais no país. A regulamentação de infraestruturas voltadas para moedas virtuais e programabilidade financeira deverá harmonizar inovação com privacidade e proteção dos usuários. A transparência na precificação torna-se uma exigência para as plataformas.

As fintechs que atuarem no mercado de representação digital de bens deverão adotar diligência operacional rigorosa e mecanismos contínuos de prevenção contra fraudes. As exigências abrangem protocolos robustos de autenticação, monitoramento de transações suspeitas e emissão de alertas de segurança para os clientes. A governança reforçada eleva os padrões de proteção patrimonial.

A definição de regras claras para o uso de contratos inteligentes e moedas digitais contribui para mitigar incertezas jurídicas que antes travavam a participação de grandes alocadores. O estabelecimento de requisitos mínimos de governança e custódia aproxima o mercado de ativos virtuais dos padrões exigidos no mercado de capitais tradicional. A padronização de condutas fortalece a confiança dos investidores institucionais.

A convergência entre a regulação de serviços financeiros digitais e as diretrizes de proteção do consumidor reforça a sustentabilidade do setor no longo prazo. À medida que o arcabouço normativo avança, o país consolida um ambiente de negócios atraente para projetos inovadores nacionais e internacionais. O alinhamento com práticas globais estimula a atração de capital produtivo.

A tramitação do Projeto de Lei do senador EDUARDO BRAGA sinaliza a busca do Poder Legislativo por um equilíbrio entre o estímulo à inovação financeira e a segurança jurídica. Ao definir competências e reforçar deveres, o texto traz previsibilidade para investidores e empreendedores do mercado de ativos virtuais no Brasil. O avanço do debate parlamentar fortalecerá o ecossistema financeiro nacional nos próximos anos.


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