A Ripple anunciou a expansão de sua plataforma global de pagamentos baseada em blockchain, ampliando o uso de stablecoins para bancos e empresas financeiras. O objetivo é acelerar transferências internacionais e reduzir capital parado em contas no exterior.
A atualização da plataforma Ripple Payments inclui novas funcionalidades que abrangem coleta de recursos, custódia, conversão e liquidação de pagamentos utilizando stablecoins. Segundo a empresa, a melhoria foi projetada para reduzir a dependência de contas pré-financiadas e das redes tradicionais de bancos correspondentes — estruturas que frequentemente aumentam custos e atrasam transferências internacionais.
O sistema conecta instituições financeiras a trilhos de liquidação baseados em blockchain, permitindo que pagamentos transfronteiriços sejam processados com maior rapidez e eficiência. Menos intermediários, mais liquidez em tempo real.
De acordo com dados divulgados pela própria empresa, a Ripple Payments já opera em mais de 60 mercados e processou mais de US$ 100 bilhões em volume de transações desde seu lançamento.

Entre as instituições que participam da rede estão o AMINA Bank, o Banco Genial, a instituição financeira malaia ECIB e a empresa filipina AltPayNet.
A expansão da plataforma também se apoia em aquisições recentes realizadas pela Ripple. A empresa comprou a Palisade, companhia especializada em custódia e automação de tesouraria, e adquiriu a plataforma Rail — que permite a clientes armazenar e trocar moedas fiduciárias e stablecoins — por cerca de US$ 200 milhões em agosto do ano passado.
Essas aquisições fazem parte da estratégia de transformar a Ripple em uma infraestrutura completa para pagamentos digitais institucionais. A empresa quer competir diretamente com redes financeiras tradicionais.
A expansão coincide com a crescente integração do token estável da empresa, o Ripple USD. A stablecoin, atrelada ao dólar, possui atualmente cerca de US$ 1,5 bilhão em circulação.

Embora ainda represente parcela pequena do mercado global de stablecoins, o RLUSD vem crescendo gradualmente. Esse crescimento ocorre em paralelo ao avanço do debate regulatório nos Estados Unidos. Em dezembro, o Office of the Comptroller of the Currency aprovou condicionalmente a criação do Ripple National Trust Bank — banco fiduciário nacional planejado pela empresa. Autorizações semelhantes foram concedidas a outras companhias do setor, como Circle, BitGo, Paxos Trust Company e Fidelity Digital Assets.
Caso essas licenças sejam confirmadas, as empresas poderão custodiar ativos digitais e administrar reservas de stablecoins sob supervisão federal. No entanto, diferentemente de bancos tradicionais, essas instituições não poderão aceitar depósitos ou conceder empréstimos. A regulamentação começa a moldar o setor.
A expansão da Ripple também ocorre enquanto legisladores em Washington discutem projetos de lei para definir a estrutura regulatória do mercado cripto nos Estados Unidos.
O diretor jurídico da empresa, Stuart Alderoty, participou de reunião na Casa Branca em fevereiro com representantes do setor financeiro e do governo para discutir os dispositivos relacionados a stablecoins. A presença da Ripple nessas negociações evidencia o papel crescente das empresas de infraestrutura blockchain na formulação das futuras regras do setor.
Se a adoção institucional continuar avançando, plataformas como a Ripple Payments podem redefinir a forma como bancos movimentam dinheiro internacionalmente. Os trilhos financeiros globais estão sendo redesenhados — desta vez em blockchain.
