A Tether começou 2026 com resultados robustos, consolidando sua posição como principal emissora de stablecoins do mundo. A empresa reportou lucro líquido de US$ 1,04 bilhão no primeiro trimestre, acompanhado de um nível recorde de reservas excedentes. Os números mostram uma operação altamente lucrativa em um mercado cada vez mais relevante. O desempenho reforça o papel estratégico das stablecoins no sistema financeiro digital.
O relatório aponta que as reservas excedentes da companhia atingiram US$ 8,23 bilhões, enquanto o total de ativos chegou a US$ 191,8 bilhões, superando os passivos estimados em US$ 183,5 bilhões. A margem de segurança reforça a confiança na paridade do USDT com o dólar. Esse equilíbrio é essencial para sustentar a credibilidade da stablecoin no mercado global.
Grande parte dessas reservas está concentrada em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, com exposição direta e indireta de cerca de US$ 141 bilhões. Esse volume posiciona a Tether entre os maiores detentores desses ativos no mundo. A empresa se tornou um player relevante até mesmo no mercado de dívida soberana americana. Além disso, a carteira inclui aproximadamente US$ 20 bilhões em ouro e US$ 7 bilhões em Bitcoin.

A oferta de USDt permaneceu estável em torno de US$ 183 bilhões no fim do trimestre, mas voltou a crescer nos meses seguintes. Segundo o CEO Paolo Ardoino, houve aumento de mais de US$ 5 bilhões na circulação até abril. A demanda por dólares digitais segue em expansão, especialmente fora dos mercados desenvolvidos.
O relatório foi elaborado pela BDO, enquanto a empresa afirma ter iniciado um processo formal de auditoria. A transparência tem sido um dos pontos mais observados por reguladores e investidores. A pressão por auditorias completas continua sendo um tema central no setor.
Atualmente, o USDT representa cerca de 59% do mercado global de stablecoins, segundo dados da DefiLlama. O setor como um todo já soma aproximadamente US$ 320 bilhões. A liderança da Tether permanece dominante, mesmo com concorrência crescente.

O crescimento da base de usuários também chama atenção. Ardoino afirmou que o número de usuários do USDT chegou a cerca de 570 milhões no primeiro trimestre. Esse avanço está diretamente ligado à demanda por alternativas ao sistema financeiro tradicional. Em muitas regiões, stablecoins deixaram de ser investimento e viraram ferramenta cotidiana.
Na América Latina, por exemplo, stablecoins já representam 40% das compras de criptomoedas, superando o Bitcoin, segundo dados da Bitso. O fenômeno tem sido descrito como “dolarização digital”, refletindo a busca por proteção contra inflação e desvalorização cambial. O uso prático supera o especulativo em diversas economias emergentes.
Na África, o avanço também é significativo, especialmente no envio de remessas. Custos tradicionais podem chegar a US$ 6 a cada US$ 100 enviados, enquanto stablecoins oferecem alternativas mais rápidas e baratas. A eficiência operacional se torna um diferencial decisivo nesses mercados. Além disso, em países com inflação acima de 20%, esses ativos ajudam a preservar valor.

Apesar do crescimento, o avanço das stablecoins levanta preocupações regulatórias. O Financial Stability Board alertou que a adoção massiva de ativos atrelados ao dólar pode afetar economias emergentes. O risco de substituição monetária entrou no radar global. Isso pode reduzir a eficácia de políticas monetárias locais e aumentar a dependência de moedas estrangeiras.
O cenário atual revela um setor em expansão acelerada, mas sob vigilância crescente. A Tether segue liderando esse movimento, combinando escala, liquidez e influência global. O futuro das stablecoins será definido tanto pelo mercado quanto pela regulação.


